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A metodologia necessária da Fuga

 “Fugir é um ato de covardia” dizem as pessoas. Analisemos esta afirmação. Todos na verdade fogem de alguma coisa que temem, que não querem encarar, que não aceitam, etc. Por exemplo, as pessoas buscam a Deus pra fugir da falta de sentido de suas vidas, pra fugir das sensações de infelicidade, pra fugir das “mentiras pelas quais o mundo é regido” segundo suas crenças.
Os jovens fogem costumeiramente de tudo o quanto causa tédio e mesmice. Os grandes empresários, as pessoas que visam estabilidade financeira, e se possível for alcançar riqueza, estes mesmos fogem da pobreza, fogem da mediocridade e até da invisibilidade que é atribuída a classe pobre. Afinal, “ser pobre é ser um ninguém”, e todos querem serem vistos e notados de uma forma ou de outra. Logo, se foge deste “ser um ninguém” perante o olhar burgês do mundo.
Os filósofos e os cientistas fogem, ou tentam fugir, da estupidez, da ignorância, de “desconhecer algum tema, assunto, fato, coisa”, pois o engano, ou melhor, o estar-enganado, ou o ser-enganado é uma das coisas mais repulsivas para um filósofo e para um  cientista.
Estilistas, pintores, artistas do teatro, da tv, cantores, poetas, todos fogem do anonimato, fogem do “ser um joão ninguém”, pois todos eles querem exibir o brilhantismo e a genialidade que pensam existir em si mesmos.
Sem falar das incomensuráveis abelhas-operárias que trabalham exaustivamente em prol da colméia humana, e que exigem que seus esforços sejam reconhecidos. Ocupar-se o tempo todo pra fugir de estar a sós consigo próprio.
Existem também os que vivem a procura do amor de suas vidas, tanto empenho pra abafar e fugir das angústias que sentem da solidão.
Os suicidas fogem por não mais suportarem os sofrimentos que há na vida.
Pergunto novamente: afinal de contas, quem não está fugindo de alguma coisa neste mundo? Todos, todos nós fugimos de algo.
Por tanto, se todos afirmam que “fugir é uma postura e uma atitude de seres covardes”, então todos nós somos covardes.
E se possível fosse, todos queriam fugir para um esconderijo impenetrável,  a fim de jamais serem encontrados pela morte.
Meus Deus, quanta Ir-realidade e cova-ardia.
Todos nós  necessitamos de supressões temporárias de nossa Realidade.


 A mutabilidade da Existência necessita da morte, da aniquilação, para assim gerar um ser novo. A Morte e a Vida são as mães que permitem sempre a entrada do Novo neste mundo. A Morte e a Vida não são egoístas, ao contrário, são elas que querem dar oportunidade a um novo ente, a um novo ser de poder existir temporariamente.
A flor que murcha, a árvore arrancada pelo furacão, o homem assassinado de modo aparentemente banal, se não houvesse a perda, a destruição, a morte, não haveria a possibilidade do Novo ser gerado, da coisa destruída ser Trans-formada.
É justamente o Caos que promove o nascimento, o desenvolvimento e o fortalecimento de tudo.
Há uma fila incomensurável de coisas, de seres, e de ações no útero da Vida, aguardando inconscientemente serem expelidas no vácuo da  Existência.







Gilliard alves
gilliard
Enviado por gilliard em 04/11/2007
Reeditado em 06/11/2007
Código do texto: T723038

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Sobre o autor
gilliard
Acaraú - Ceará - Brasil, 37 anos
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