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O meu segredo é o meu prisioneiro?


Schopenhauer disse: “ Se não conto o meu segredo, ele é o meu prisioneiro. Se o deixo escapar, sou o prisioneiro dele. A árvore do silêncio dá os frutos da Paz ” .
Schopenhauer está enganado em sua afirmação acima citada. Em ambos os casos, no ato de contar ou não contar um segredo, a pessoa de toda forma é prisioneira de seu próprio segredo.  Se eu não conto o meu segredo, eu me torno automaticamente o carcereiro dele, eu me torno a sentinela, o vigilante constante dele para que ele continue preso a mim, e em mim., para que ele continue sendo o meu prisioneiro. Por tanto, eu me torno preso ao meu próprio segredo, eu me aprisiono a meu próprio prisioneiro, a fim de que ele não venha a fugir. Possuir as chaves da cela dos meus segredos não me tornam senhor e donos deles por inteiro, pois será necessário o ato permanente de vigiá-lo, para que eles não venham de alguma forma a fugir de dentro de mim. ( Um momento de fragilidade emocional, um segredo poderia aproveitar a oportunidade de escapar de meu controle, de minha cela interior).

Vemos por conseguinte que o segredo me aprisiona a ele mesmo, a fim de que ele continue sendo meu, a fim de que ninguém o conheça. Não só isso, Schopenhauer comparou o segredo como sendo “ o meu prisioneiro”, como sendo algo aprisionado. Depois ele conclui que “ a árvore do silêncio( não contar o segredo, emudecê-lo aos ouvidos do mundo exterior) dá os frutos da paz.”  Esta conclusão também está mal formulada. Sendo o segredo “ o meu prisioneiro” , qual o prisioneiro que não queira fugir, que não queira escapar de seu cárcere? O prisioneiro grita em sua cela por sua liberdade, ele não aceita de forma nenhuma estar aprisionado, ele deseja ser livre. Tapar os ouvidos diante dos gritos de meu  segredo o qual clama por liberdade, dará a mim “ os frutos da paz ” mencionados por Schopenhauer?

Então contar o meu segredo seria a melhor solução? Também não é, pois ele é o meu segredo, o meu segredo que sabe de muitas coisas sobre mim, e que ninguém sabe. Por tanto, deixá-lo livre, revelar o meu segredo é algo bastante arriscado, pois agora a pessoa em questão terá um sofrimento duplicado: a de uma outra pessoa conhecer o meu segredo, segredo este que pode ser usado como uma arma contra mim mesmo.
Sem mencionar o arrependimento que ela oculta por ter revelado algo tão íntimo dela, pertencente somente a ela. E esse arrependimento já se transforma em um outro prisioneiro que ele vai ter que conviver diariamente consigo mesma.
Então, o que deve ser escolhido?


Gilliard Alves












gilliard
Enviado por gilliard em 07/11/2007
Código do texto: T727070

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Sobre o autor
gilliard
Acaraú - Ceará - Brasil, 37 anos
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