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MEU VIOLÃO

Olho bem dentro do  meu guarda-roupa e levo um susto: meu violão, empoeirado, abandonado, esquecido...desafinado, mudo!
Que aconteceu comigo, me pergunto ainda assustada, olhos estatelados. Onde está aquela “artista” que amava seu violão, cantava as canções românticas para o seu “fã clube”? Onde estão as pessoas que a obrigavam a tocar e cantar mesmo que não fosse o seu momento, onde está esse tal de “fã clube”? E a música preferida do meu marido: "Bom dia tristeza" tão tarde tristeza, você veio hoje me ver...
 Há!  estou me lembrando...eu virei “escritora virtual”, meus fãs também são virtuais....então  aquelas serestas nos sábados foram trocadas por uma máquina que ninguém apláude  meu canto,  ninguém mais ouve os meu lamentos em forma de canção?
Será que a escolha ou troca  foi melhor? Será que sou realmente uma escritora? E a cantora que sempre esteve dentro de mim, que tem até cds gravados, cantados para milhões de ouvintes como os da Rádio Comunitária do meu bairro, do coral da minha igreja,  do clube do SESC, onde ganhei até troféu?
 Escritora ... poetisa... EU? E esse violão plangente de sonatas ao luar no terraço da minha casa, onde os vizinhos se juntavam e cantavam também.....É...foi a violência! Ela fez que eu calasse a minha voz e que todos se escondessem dentro de casa. Agora, dentro de um apartamento florido, lindo mesmo, mas sem vizinhos, sem ninguém para pedir-me que cante ou toque este violão, já não mais plangente, empoeirado, desafinado e triste.....vou escrever essa minha saudade...afinal, não sou “ESCRITORA”?
dezinha
Enviado por dezinha em 19/11/2005
Código do texto: T73664
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Sobre a autora
dezinha
Belo Horizonte - Minas Gerais - Brasil
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