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A louca II

Sou a louca, muito prazer!
Por quê? É essa a pergunta?
Sou louca porque vivo no hospício da humanidade, amo a liberdade, me deleito com a insanidade, adoro atrair loucos como eu, pois normalidade me cansa, me frustra.
Adoro ser louca, sei que não agrado a todos, melhor assim. Pois que chato seria ser perfeita, e reafirmo que vale a pena sonhar e não se escravizar por coisas que na verdade não nos fazem felizes.
Não sei esperar a boa vontade do dia de amanhã, atropelo mesmo, porque quero pra ontem, pra hoje e não pra amanhã, porque amanhã é um dia que talvez não chegue...
A minha loucura chega quando o sol desperta, quando a lua desponta no horizonte. Breves momentos de lucidez ainda tenho, mas prefiro mil vezes a loucura. Anseio por guerras, onde todos gritem até se fazerem ouvir, deixem de ficar calados, conformados, porque no fundo ninguém quer isso, apenas se deixam contagiar pela hipocrisia e pelo medo de ser diferente. Gosto da verdade, cultivo amizades, mas não escondo meu ser, me embriago nas emoções e vou além dos pensamentos. Adoro coisas mundanas, que todos têm vontade de fazer, mas falta coragem.  Sim! Tenho desejos e fantasias sexuais que vão muito além do trivial.
Por que o espanto? Sexo é saudável, não pode ser considerado uma droga, mas se fosse, então eu adoraria viver "chapada" e em constantes overdoses.
Faço o que minha loucura manda, por horas meu cérebro me comanda, por outras quem sabe o coração.
Não anseio por ser normal, porque a loucura é meu referencial, o alucinógeno da minha alma. Assim pelo menos tenho migalhas de uma vida, que quem sabe não é vivida, apenas sobrevivida!
Muito melhor viver assim despudorada do que frustrada.  Quero mais é transgredir regras, quebrar paradigmas, dogmas e falsos moralismos.
Se me apontarem o dedo, me condenarem por algo... Ah me delicio com o simples prazer de pelo menos ter incomodado de alguma maneira!
Quem sabe vocês também não tentam se entregar ao erro, às imprudências, aos vandalismos da vida? Quem sabe expressando suas loucuras não descubram a verdadeira lucidez.
Sou um objeto impuro, gosto de ser usada pela volúpia, possuída por taras, fantasias e loucuras satânicas.
Chame-me de imoral, me xingue dos mais feios e fortes palavrões, isso só vai me excitar e me servir de bálsamo para exaltar ainda mais minhas loucuras!
Venham, vamos morrer juntos, para juntos vivermos, pois a vida é o mais absurdo dos acidentes!
Debora Cavalheiro
Enviado por Debora Cavalheiro em 17/11/2007
Reeditado em 13/01/2012
Código do texto: T741393
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Debora Cavalheiro
Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Brasil, 37 anos
234 textos (18983 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 23/10/17 22:52)
Debora Cavalheiro