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Da dificuldade de se levantar uma questão filosófica

Da dificuldade de se levantar uma questão filosófica
 
Porque qualquer conversa casual é uma conversa casual? Quem determinou ao longo dos tempos essa casualidade toda?
 
Vemos que nosso dia a dia é repleto de encontros casuais, nos quais trocamos algumas palavras. O exemplo mais corriqueiro é a breve pontuação sobre o tempo do dia. Calor, frio, abafamento, a brisa, o sol despontando atrás de nuvens ou talvez até a garoa leve que irrita. Somos acostumados a fazer esses breves comentários para sermos sociáveis. Já em outras culturas puxar um assunto do nada é inconcebível e mesmo passando horas a fio ao lado de outrem não se manifesta vontade alguma de comunicação.
 
Mas como em nossa cultura isso é algo que acontece com bastante freqüência creio que seria interessante notar a total inutilidade desses breves comentários, que só servem para criar uma ilusão de socialização. Já que de forma estéril e distante há uma interação.
 
Passando da casualidade para os encontros mais sólidos, nos quais se encontra alguém conhecido, temos uma troca rápida de informações sobre os últimos acontecimentos, os que achamos de bom grado contar, não muito ouvimos um "está tudo bem" ou um "tá tudo tranqüilo". O que muitas das vezes não reflete a realidade, mas como o encontro é breve se pensa em deixar quieta certo tipo de revelação.
 
Falo que é uma forma inútil de socialização, pois as pontuações e os comentários são apenas reafirmações do observado. A pessoa entra no elevador pingando de suor e houve um, “nossa, hoje ta muito quente né?”. O que responder pra um infeliz que me diz isso? “Não! Ta super frio, por isso estou suando em bicas”. Logo vêm os ataques em massa dizendo que sou anti-social.

Desde quando ser social é ser estúpido? É ser reducionista e ter paciência gigantesca? Nunca ninguém em uma breve pontuação no elevador me perguntou se de acordo com a teoria existencialista que fico chateado de estar suando tanto. Ou se, no caso de alguém religioso, eu em minhas ações caridosas adquiri a paciência suficiente para não me importar com o mero calor.

Protegemo-nos em uma redoma fina de proteção social, para que não cresçamos com os outros nem deixamos os outros crescerem. Sempre nos colocando sociais e admitindo a estupidez e as ações desnecessárias dos outros.

Como afirmo sempre, “Pais criam pais”. Desde que o mundo é mundo um pai não cria o filho para ser algo mais, para evoluir a humanidade. Os pais criam os filhos para serem pais, melhores ou piores, com mais condições ou menos, mas sempre pais.

Criamos as tradições, as ações culturais incrustadas no nosso dia a dia e com essas ações tornamos muito mais difícil uma evolução mental, já que a mente nos prende a essa vida reduzida de possibilidades que levamos.

Se alguém pudesse levar uma questão filosófica no elevador, por favor, levante, é difícil? Óbvio, mas vamos mudar, vamos abrir a mente, abrir-nos a novas possibilidades! Só assim a humanidade evolui, sobrepujando a dificuldade que se há em levantar questões filosóficas.

leandroDiniz
Enviado por leandroDiniz em 11/12/2005
Código do texto: T84573
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Sobre o autor
leandroDiniz
Niterói - Rio de Janeiro - Brasil, 34 anos
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leandroDiniz