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DO BAJULADOR...

O único meio de lutar contra o bajulador é tomar
consciência das próprias falhas.
                                                           
                                                                                 Plutarco



Entre as serpentes e escorpiões mais daninhos, encontra-se, é verdade, o bajulador. O bicho é uma espécie, digamos, de abutre às avessas, pois o mesmo jamais será atraído pelo odor de nossos deslizes.

Uma de suas manjadas estratégias é seduzir através de lentes que aumentem o grau de nosso amor-próprio nos transformando, destarte, em palermas (salvo, é claro, quando se trata de um outro bajulador).

Todo bajulador, sem exceção, é profundamente diplomático, polido, educado, daí seu poder “enfeitiçador”.

Pobres, míseros de espírito, são os bajuladores e os que aceitam a bajulação. Estes  (bajulados)  raramente conseguem escapar daquele tipo nefando de auto-confiança excessiva que redunda sempre em autoritarismo compulsivo. Os exemplos, por acaso, não estão aí para quem quiser ver?

O bajulador é camaleão perfeito, adapta-se às circunstâncias com a maior cara de pau. Sabe bem o que faz, mesmo tendo certa consciência do quanto há de patético, de ordinário em suas artimanhas.

Não se iluda, pobre bajulado, pois, para essa corja (bajuladores), você não passa de um imbecil, um inepto, não merece o menor respeito. O bajulador sabe que estupra oportunidades que só outros bajuladores são capazes de facultar. Para ele, como diz Maréchaux, as almas de suas vítimas são modelos de fragilidade, presas fáceis para o infortúnio, porquanto elas oferecem um vasto curso a suas manobras capciosas.

Enquanto o bajulador é “boa praça”, “cabeça feita”, experiente, frio, “culto”, bom de prosa, o bajulado – cego do amor-próprio exaltado -,  às vezes à exaustão, anda em folastrias, imerso numa inanição crítica de dar pena.

O bajulador é cínico trapaceiro que joga com as coisas, sobretudo com pormenores, e  foge  do conjunto dos fenômenos, não importa qual seja. Trata-se, não nos esqueçamos, de um tremendo linguageiro, um astuto, um velhaco.

A bajulação, enfim, é tão rasteira, tão reles, tão deplorável, tão ignóbia, que iguala a todos que enreda, que contamina. A coisa é tão medonha, tão asquerosa, tão diabólica, que, amiúde, se mostra não se revelando, eis por que Plutarco adverte: “a mais perniciosa bajulação é a que é séria”.
Ary Carlos Moura Cardoso
Enviado por Ary Carlos Moura Cardoso em 27/12/2005
Código do texto: T90910
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Ary Carlos Moura Cardoso
Palmas - Tocantins - Brasil
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Ary Carlos Moura Cardoso