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ESPÍRITO, CORPO E ALMA






Enquanto sinto o corpo que me serve de abrigo, às vezes encaro o perigo que me ronda de todos os lados, como se fosse uma guerra onde nunca se vê o inimigo que nos espreita, esperando o momento oportuno de tentar nos vencer.
Meus pensamentos procuram lugar nos espaços que se alongam diante de mim. Procuro seguir um determinado caminho, tentando chegar ao lugar que nos foi determinado pela Lei.
O meu espírito prisioneiro de meus desejos e anseios procura a liberdade, porém fica preso ao corpo que o condena ao cativeiro da alma que se esforça para dominar um corpo ainda meio animal.
Enquanto a luta se desenrola entre os três elementos, uma leve predominância do espírito sobre a alma determina também a servidão do corpo àquele que deverá ser mais forte e, no final, vencedor.
A trilogia composta pelos elementos cumpre o papel que lhe foi destinado na vida presente
Quando se procura ter consciência de nosso ser composto e das responsabilidades diante do mundo, fica ainda mais difícil conciliar todo o nosso sentimento, propostas e mesmo simples desejos que, às vezes, se intercalam entre o bem e o mal.
Porém, quando a consciência vence as incertezas, nesta vitória, mesmo momentânea, saio ainda mais fortalecido e passo a me sentir como um herói que venceu uma grande batalha. Na verdade, tudo é apenas uma pálida sensação da realidade do nosso dia a dia.
Enquanto a luta se desenvolve, procuro vencer as angústias de uma alma cativa que muitas vezes se revolta diante da insensatez e da loucura que se vê no mundo.
É como se eu conseguisse, mesmo sem ver, enfiar minha mão no lodo do  fundo das águas barrentas e aí encontrar o verdadeiro motivo da vida e da constante procura. Quando retiro minha mão da lama escura do fundo do lago de águas paradas, retiro também algo concreto como se fora um diamante que brilha, mesmo passando por entre os dedos ainda fechados e sujos de lama.
Retirando a mão, levanto-a e, abrindo-a, passo, então, a ver que aquilo que eu resgatara de dentro das águas barrentas. É minha consciência completa que desabrocha, brilha como se uma forte luz, vai irradiando-se e clareando tudo ao seu redor.
Como um coração pulsando, brilhante de uma cor esmeralda, os raios se propagam em todas as direções, ofuscando assim a alma cativa, o corpo carrasco que sempre aprisiona todos aqueles que se deixam vencer pela inércia, pelo medo e os próprios enganos constantes que se encontra em todos os cantos do mundo.
O corpo se restaura, a alma se alivia e o espírito domina a todos, como aquele cocheiro que consegue dirigir um complexo de três elementos que precisam estar completos para que o homem se realize por inteiro no mundo onde vive.
Os fatores externos são complementos do sofrimento daquele que procura se atormentar diante das mazelas do mundo. E seguindo o caminho que foi traçado, procuramos cada vez mais firmar o aspecto dominante, consciente. E uma nova queda representará neste final de ciclo o pão complementar daquele que procura se atormentar diante de um mundo. E que já ha muito deveria ter retornado à casa do Pai.
Seguirei, assim, caminhando por caminhos que nem todos desejam e ousam se aventurar por medo e comodismo e, com isto, adiam sua chegada ao local que foi almejado e previsto quando se planejava a volta ao mundo do meio.


 21/02/03-VEM



Vanderleis Maia
Enviado por Vanderleis Maia em 09/01/2006
Reeditado em 07/04/2009
Código do texto: T96590
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Sobre o autor
Vanderleis Maia
Imperatriz - Maranhão - Brasil
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