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“Não somos responsáveis apenas pelo fazemos, mas também pelo que deixamos de fazer.” (Molière)

Sempre que releio este aforismo de Molière lembro-me de uma parábola muito interessante sobre este paradoxo tão ardil que nos enleia: a permissividade ou não de nossas atitudes.

É interessante notar o quanto este conceito pode nos influenciar, sobretudo, no que diz respeito às nossas concepções.

O texto aqui transcrito pertence à Max Gehringer, colunista da revista Você s.a.. Leia-o com atenção:

“Nos tempos de Herodes, rei da Judéia, havia um escriba de nome Nicolau. E era justo e irrepreensível na obediência aos preceitos do Senhor seu deus”.

Sucedeu ser Nicolau possuidor de modesta quantia de bens, o que lhe proporcionava um viver simples, porém confortável.

Mas eis que não havia felicidade no coração de Nicolau. Não eram de agradecimentos as suas preces ao Senhor, mas de súplicas e lamentos.

Abnegado e servidor, porém nunca reconhecido por suas contribuições, dedicava Nicolau todo o seu tempo a implorar que o Senhor dele fizesse instrumento de alguma obra notável, pois não queria terminar seus dias na vala comum dos anônimos e esquecidos.

Assim, todas as noites, posto o sol, permanecia Nicolau em sua janela, jejuando e flagelando-se até o limite do suportável, fazendo orações sem fim e interrogando o infinito. Mas ia se escoando o tempo, e nenhum sinal da vontade do Senhor se manifestava.

Uma manhã veio acordá-lo Sara, sua mulher. Surpreendido pelo cansaço, Nicolau havia dormido à janela. Era a hora undécima de um dia claro:

- Viste, Nicolau, a estrela que por toda noite clareou os céus? Indagou Sara.

E respondeu-lhe Nicolau:

- Não, eu não a vi. Fui interrompido em minhas preces por um viajante que passava e logo adormeci.

Novamente perguntou-lhe Sara:

- Quem seria tal viajante? Por acaso eu o conheço?

- Não, replicou um fatigado Nicolau, era apenas um carpinteiro de Nazaré da Galiléia e sua mulher grávida. Vieram para o recenseamento. Atirei-lhes alguns dinheiros e ordenei que seguisse viagem. Creio que falou algo sobre pernoitar no estábulo, mas não lhe dei atenção.

E Nicolau agradeceu ao Senhor por tê-lo poupado da inconveniência de que aquela mulher desconhecida viesse a dar à luz justamente em sua casa. E voltou a suplicar aos céus pelo milagre que o faria um homem famoso por todo o sempre.”

Bem, creio que não me resta muito a falar, sendo assim, até breve.

Ad majora natus
Alexandre Casimiro
Enviado por Alexandre Casimiro em 16/01/2006
Reeditado em 30/10/2006
Código do texto: T99631
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Sobre o autor
Alexandre Casimiro
Casimiro de Abreu - Rio de Janeiro - Brasil, 36 anos
67 textos (14588 leituras)
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Alexandre Casimiro