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O ACASO E A MATÉRIA PRIMORDIAL COMO FORMADORES DA REALIDADE

A realidade sempre foi posta em dúvida através dos filósofos desde a antiguidade, tendo seu principal questionador Platão e usa teoria das idéias, onde através desta a realidade deste mundo se põem em dúvida a parti do momento onde este é uma cópia de uma verdadeira realidade. Saltando para a era moderna temos René Descartes, onde a única prova de realidade é a sua própria existência, de resto, pode-se por em dúvida, através do argumento dos sonhos e do Gênio enganador.
A meu ver, estes dois foram os mais radicais da história da filosofia ocidental em relação ao questionamento da realidade, digo isso por causa de suas teorias, que são tão intensas, lógicas e difíceis de combater, que através delas podemos até desenvolver uma dúvida quanto a realidade propriamente dita. Mas mesmo assim, ainda somos muito céticos em acreditar ou não, mas será que a questão é acreditar?
Talvez estivemos em algum questionamento em um beco sem saída, talvez Kant pudesse dizer isso. Não somos muito pouco para provarmos à realidade? Sim talvez ele estivesse correto, mas prefiro ao invés de simplesmente entrar em consenso da realidade de não ser capaz de questionar tal elemento, prefiro percorrer outro caminho, o de questionar a inexistência da realidade.
Antes de começar, devo introduzir o que seria realidade, algo mutável ou imutável? Devo primordialmente dar minha idéia sobre isso, por certo, semelhante ou talvez até igual à de Sócrates; a realidade em si deve ser perfeita, ou seja, inquestionável e se manter do modo que é; não podendo ela ser alterada por fatores externos (metafísica?), mas poderia ela se alterar? A partir do momento em que ela se alterar, ela estará alterando seus fatores internos, estes por estarem inseridos a realidade a correspondem, logo são pertencentes à realidade, logo não poderiam ser alterados por fatores externos, mesmo que este seja a realidade em sua forma pura (seria possível imaginar isso?), logo a realidade não poderia se alterar, ela perderia sua identidade primordial, o fato de ser real, logo ela terá de permanecer para sempre invariável na forma que lhe é própria.
Mas o mundo sempre está numa constante mudança, e agora? Como poderia questionar a inexistência da realidade? O melhor caminho que vejo seria definir a mudança, o que ela seria. Irei utilizar um exemplo da química moderna, nós somos envoltos de matéria, devo relacioná-la a realidade, esta matéria em geral possui diversas formas que vivem se relacionando e mudando, estes são os átomos, que seria a mudança do mundo como comecei a questão deste parágrafo, porém o que seria este átomo? Algo indivisível como os pré-socráticos nos afirmaram? Não, já sabemos que os átomos são formados por elétrons, prótons e nêutrons, estes três seriam o que relaciono à realidade? Ao imutável? Talvez, eles seriam logicamente os formadores da mudança.
Mas o que forma a mudança? A mudança é conseqüência algum fator, seria este fator algo imutável? Não necessariamente, pois este fator poderia ser causado por algo, logo ele poderia entrar no conceito de mudança, uma mudança que causa outra, logo se chega a uma bola de neve, onde este mundo é o resultado de uma bola de neve, mas se formos pensar, qual foi o primeiro fator? Se formos pensar através da matéria seria o próprio Big-Bang, mas ele não foi algo imutável, ele aconteceu, alterou e mudou todo aquele ponto de densidade infinita no universo em que estamos vivendo. Então a realidade é a mudança? Não, devo lembrar que a realidade é algo tão complexo que não seria possível descrevê-la somente através da matéria, pois o que a altera não é ela mesma, são forças estudadas pela física, o próprio Big-Bang foi causa por uma força que o fez implodir.
Então chegamos à outra questão, a relação entre a matéria e as forças, chegamos a um ponto onde pus de lado a matéria como causadora das mudanças e sim como algo não sendo mutável nem através de fatores externos, e como descrevemos anteriormente, a realidade pelo fato de ter de ser perfeita não é mutável tanto por fatores externos quanto internos, logo a matéria entra num novo quadro, ela em si não muda (lembrando que quando falo de matéria falo do elemento primordial da matéria), mas ela mesma altera seus sucessores (átomos etc.), o que torna real somente seu elemento primordial, de resto, caem na inexistência.
E em relação às forças? Elas simplesmente alteram os elementos secundários da matéria, mas as forças são conseqüências de alguma outra coisa, elas são o efeito de alguma causa, esta causa está jogada no acaso, como o resultado de uma taca num bilhar feita de olhos fechados, o acaso foi o fato de a tacada ser feita de olhos fechados, as forças em si, seria as bolas, pois elas irão causa a mudança da ordem do bilhar pelo acaso. Mas pêra aí?! O acaso não seria a tacada e as forças as bolas, mas elas se alterariam? Sim, as forças se alteram, assim como a matéria se altera, seria então a força correspondente ao átomo, e seu elemento primordial o acaso.
Unindo os dois, o elemento primordial da matéria e o acaso num único momento, podemos analisar o Big-Bang como resultado do acaso, levando em conta que não houve momento do Big-Bang, pois antes dele não havia tempo, logo o fato da implosão ter ocorrido foi simplesmente ao acaso, afinal o acaso é algo que ocorre simplesmente do nada, sem ser esperado, e como a implosão poderia ser esperada se não havia tempo antes dela?
Nesse momento, como não havia acaso antes, toda a matéria se mantinha em sua forma primordial, pois não houve nenhum tipo de força para alterá-la, logo o princípio era simplesmente matéria primordial, e a partir do momento onde teve o acaso que criou as forças, houve a mudança da forma da matéria.
Então, para os tempos atuais eu poderia ousar em dizer que a realidade a nossa volta é o acaso das ocorrências e a matéria primordial das coisas. Isso deixaria de lado as teorias de Platão e Descartes, pelo menos por enquanto, visto que as questões de Descartes e Platão envolvem muita metafísica, o que estas minhas questão não envolvem, isso deixarei para meu próximo texto, mas farei uma pequena brecha sobre quais questões tomar.
De onde vem a matéria primordial e o acaso?
Renan Reis
Enviado por Renan Reis em 16/01/2006
Código do texto: T99687
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Sobre o autor
Renan Reis
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil, 29 anos
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Renan Reis