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Questões sobre Agnosticismo e Ateísmo

       

Muitos de nós questionamos a existência de um ser divino, ou como funciona sua hierarquia, ou o que ele realmente é. Existem, até onde pude perceber, há três diferentes tipos de pessoas que entram nesse tipo de debate; são os religiosos, os agnósticos e os ateus. Entretanto, nesse texto irei somente questionar sobre dois deles, os agnósticos e os ateus, e suas diferenças.

                Antes de tudo, devemos verificar suas principais diferenças, de um lado, temos os agnósticos que acreditam em alguma força superior, não importando sua natureza; do outro temos os ateus que não acreditam em nenhuma força superior, só neste mundo sensível. Poderíamos imaginar que com essas diferenças já poderíamos acabar com tas questionamentos, mas nunca que poderíamos fazer isso, seria de completa anti-racionalidade.

                Deixe-me começar pelos ateus. O ateísmo defende uma tese de que não há nada além do que vemos, poderia até dizer que quem pode ter começado com isso, foi Aristóteles, ou até mesmo os pré-Socráticos, com uma visão onde o mundo que existe é o que nós vemos, ouvimos, cheiramos, sentimos e degustamos, eles não tem o questionamento sobre algo superior, para eles todo é completamente racional. Este pensamento pode ser assemelhado ao pensamento dos Estóicos1, e influenciando muitos outros pensadores. O ateu pensa conforme o humanismo, seu período de grande influência foi o iluminismo, um verdadeiro ateu era o Marquês de Sade e seus contos hedonistas.

                Sendo assim, o ateu é aquela pessoa que realmente não acredita que Deus exista, ele acredita que o homem é o centro (antropocentrismo), e mais interessante ainda, não é limitado pelo medo do pecado, pois não acreditando em Deus, ele também não acredita no Demônio, logo para ele não existe nem bem, nem mal. Isso o faz pensar em política de forma mais racional, havendo um grande debate entre o que são justiça e injustiça para um ateu? Ou firmando sua vida hedonista, mesmo o termo de hedonista não ser exclusivo de ateus, pois prazer não é pecado. Finalizando agora com os ateus, poderia dizer que eles são liberais, e às vezes até mesmo libertinos, podendo eu dizer, que os ateus em grande parte são adeptos a teorias e filosofias alternativas, muitas vezes más vistas ou entendidas.
impoem  em acreditar em alguma força superior a raça humana, mas também não se fazem acreitar, por esse motivo, e outros, não se associam a nenhuma religião ou instituição. Eles se põem no direito de questionar supostas verdades, antes de serem religiosos são filósofos, mas não céticos. Seu pensamento é semelhante ao pensamento de Platão2, onde você não pode confiar completamente em seus sentidos, pois eles têm a capacidade de lhe confundir quanto à realidade, e partir daí, a compreensão do divino também pode ser comprometida, por isso, não se deve deixar de questionar nada que seja certo de ser, o que é incerto de ser, já é questionado,e assim se mantenha, você deve somente firmar estas dúvidas. Agnósticos são questionadores, não para provarem que não exista, mas para mostrar que as religiões estão erradas em se acharem corretas, pois para o agnóstico, as religiões podem até ter alguma verdade nela, mas elas não são completamente corretas e verdadeiras, por isso todas elas são dignas de serem questionadas. Conseqüente a isso, um agnóstico normalmente adota filosofias, gostos e ideais contemporâneos, e se identifica com o louco, com é explicada por Erasmo Rotterdam, em sua obra “Elogio da Loucura”3, esta é a identidade agnóstica.

                O agnóstico acredita que sempre existiu algo superior ao ser humano, e toda a a raça humana é capaz de “sentir” isso, e por causa de diferentes etnias, culturas e regiões, esta força divina, que em alguns casos pode ser chamada de fé, foi interpretada de uma forma diferente, nós não podemos dizer que os Hindus e Maias estavam errados, e que os judeus estavam corretos... Por isso o agnóstico acredita que todas elas tem alguma verdade, ele estuda suas semelhanças e diferenças e a partir daí  ele cria seus argumentos para algum debate ou ideologia. Antes de simplesmente questionar, ele tenta saber (comportamento de filósofo), e é por isso que ele é um extremo entre os religiosos e os ateus, mas ao mesmo tempo se mantém entre eles. Ele pode ser considerado um extremo, pois o que é considerado certo não é, pois ele pode ser questionável, e o que é incerto de ser pode ser, pois sua incerteza pode entrar em questionamento. Por isso ele coloca tudo em questionamento, por isso ele não é cético, pois tudo pode ser ou não; agora o que é e o que não é varia de agnóstico para agnóstico. E ele está entre os dois porque de um lado se acredita piamente e de outro não se acredita ceticamente, e ele é o meio termo, pois acredita, ou não, porém questiona.

                Concluindo, agnósticos são completamente diferentes de ateus, são extremos e não o são ao mesmo tempo. Ambos fazem parte de características pessoais que variam de pessoa para pessoa, mas diferentes em conceito. Basicamente poderia dizer que ateus são iluministas, agnósticos são renascentistas, ambos são hedonistas, afinal, nem tudo pode ser tão diferente do demais né?!

1 - http://geocities.yahoo.com.br/mcrost08/o_mundo_de_sofia_12.htm

2 - http://geocities.yahoo.com.br/mcrost08/o_mundo_de_sofia_09.htm

3 - www2.uol.com.br/cultvox/ livros_gratis/elogio_loucura.pdf

 

Renan Reis
Enviado por Renan Reis em 16/01/2006
Código do texto: T99691
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Sobre o autor
Renan Reis
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil, 29 anos
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Renan Reis