Mendigo

Ante ao chão gélido com os pés natos

Que queima na pele rústica, surrada, ferida

Cai a pálpebra com o sofrimento que há nele

Nos olhares desprezados do transeunte

A figura se mostra desprovida

Sem valor ao desavisado

Falta recurso mas não vida

Morte mesmo está na mente, do crente

De que um valor não se tem,

Mas seu mérito vai mais além

Só se obscurece pela carência do ensejo

Que no caos da cidade deturpa a imagem

Mas não apaga a chama do desejo

Por mais que o coração o despreze

Não se engane pela aparente pobreza

O verdadeiro mal provido do necessário

Alheio a qualquer salário

É o preconceito à ausência da beleza

Valor que não se põe à mesa, mas com certeza

“passa-te a perna” quando quer

Olhe à frente, veja ao lado

Mesmo num passo mais apertado

Lembre-se de virar pra traz

Perante um homem ou mulher

Um só sorriso é assaz

Marco Dorta
Enviado por Marco Dorta em 08/09/2012
Código do texto: T3871356
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