Capa
Cadastro
Textos
Áudios
Autores
Mural
Escrivaninha
Ajuda
Textos
Texto

Navio Urbano

NAVIO URBANO

No caos urbano é que vejo
Meu destino de afogado.
Ratos fornidos por dentro
Tomam meus sonhos de assalto.
Sob os pés brutos que sangram,
Mares de piche escaldante
Zombam da nau à deriva.
Da memória escoa a vida
Recolhendo seus destroços,
Gritos de fome e de medo
Em maremotos de asfalto.
A rosa-dos-ventos
Indica o tempo no qual navego
Clandestino de mim mesmo
Rumo ao cais dos renegados.
Ao mesmo cais
De onde a luz acena inútil.
O mar aberto das minhas lágrimas
Vem com a procela
Ondas de mágoas
Que arrancam velas
Que tombam mastros
E trazem meus mortos
À praia de lama e betume.
Negreiros navios aportam
Não de áfricas selvagens,
Mas de palmares-favelas,
Que regurgitam zumbis
No esgoto aberto de revoltas mudas.
Do tombadilho avisto o mundo
Terra perdida dos meus encantos
Túmulo de todas as alegrias
Que desejei um dia.
Na perigosa e deslizante proa
Sequer basto a mim
Mas a mim não elimino
E resto preso
A grilhões imaginários do futuro.

Aldo Guerra
Enviado por Aldo Guerra em 19/01/2006
Código do texto: T100725
Enviar por e-mail
Denunciar

Comentários

Sobre o autor
Aldo Guerra
Rio das Ostras - Rio de Janeiro - Brasil, 60 anos
296 textos (26097 leituras)
3 áudios (490 audições)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 06/12/16 15:58)
Aldo Guerra