Capa
Cadastro
Textos
Áudios
Autores
Mural
Escrivaninha
Ajuda
Textos
Texto

IMENSO DESERTO

Todos os dias ela está lá,
Assustando-me pela manhã.
Não há reza, não há exorcismo,
Que a faça, de minha frente, sumir.
Fantasmagórica, aumenta de tamanho,
Iceberg que rompe o casco da inspiração.
Arrepiá-me e me faz de medo tremer.
Às vezes parece rir do pavor
Que gera a sua brancura.
Busco arma para enfrentá-la.
Quero retalhar o seu corpo
A bico de metálica pena
Para que, de cada sádico talho,
Jorre o precioso sangue azul
Com o qual escreverei versos
Que farão gritar essa assombração
Que é a folha de papel em branco
Que me assombra na escrivaninha
Parecendo um imenso deserto
Que se estende diante de mim,
Apavorada, com a caneta na mão.

07/08/04.
Maria Hilda de Jesus Alão
Enviado por Maria Hilda de Jesus Alão em 06/04/2005
Código do texto: T10079

Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original (Cite o nome do autor). Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas.
Enviar por e-mail
Denunciar

Comentários

Sobre a autora
Maria Hilda de Jesus Alão
Santos - São Paulo - Brasil
848 textos (343133 leituras)
19 áudios (10580 audições)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 05/12/16 06:46)
Maria Hilda de Jesus Alão