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DOR DE OUTREM

A pedra cai na cabeça do alheio. Dói.
Como dói fingir que constranjo.
Dói supor a solidariedade falsa que não bloqueio.
Dói o prazer defeituoso, escondido na alma obtusa que arranjo.

Na ajuda que  presto dentro do vidro perolado
da hipocrisia que  adestro,
dói a substância de raças que carrego
e que acendo o fogo a quem me entrego
pelo  minuto mundano,
além da suposta justiça contra atos que me nego,
mas que desejo à margem da invídia que emano.

O pecado que não acolho renasce
na face de quem recebe o ferrolho
do enlace de minha inconsciência de humano;
por mais que  queira um só rosto
sou sempre transposto em Jano.

O que nunca provei reside no meu abismo.
Bojo da máscara do sorriso de redenção.
Egoísmo de imputar que a pedra deixou de ser pedra,
modelou-se em aviso,  imolou-se em provação.

Ah! Quem dera em mim o espírito que redra
que, sem meneios, me mostrasse o caminho
para que estes anseios tivessem seu desalinho.

Poderiam ser as asas de uma outra existência
ou os seios de um eterno moinho.


2006
www.alfredorossetti.com.br
 
ALFREDO ROSSETTI
Enviado por ALFREDO ROSSETTI em 07/02/2006
Código do texto: T109033
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Sobre o autor
ALFREDO ROSSETTI
Ribeirão Preto - São Paulo - Brasil, 65 anos
143 textos (2367 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 09/12/16 11:50)
ALFREDO ROSSETTI