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Cantares... (1)

Cantares... (1)


Eu canto as horas amargas
das cargas e das descargas
das barcas de arrojo e pinho...

Eu canto os longes das rotas
abertas pelas gaivotas
com asas de níveo linho...

Eu canto as horas sombrias
de medos e de agonias
no mais além da tormenta...

Eu canto as horas de luto,
naufrágios, febre, escorbuto,
sabor de cravo e pimenta...

Eu canto no Cabo Não
o sim de passar ou não,
mas nunca o retroceder...

Eu canto os Cabos da Dor!
Gil Eanes Bojador,
Tormentas de estarrecer!

Eu canto as Áfricas virgens,
feridas desde as origens
de mágoas e predadores...

Eu canto as Índias da História,
Cobiças, dramas e glória,
de incensos e roxas cores...

Eu canto os áureos Brasis,
a cana em negro matiz
de açúcar de acres sabores...

Eu canto a nesga europeia
do Poeta e da Epopeia,
do Fado das nossas dores...



José-Augusto de Carvalho

Do livro em preparação
«O Alentejo não tem sombra...»
José Augusto de Carvalho
Enviado por José Augusto de Carvalho em 07/02/2006
Código do texto: T109175
Classificação de conteúdo: seguro
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Sobre o autor
José Augusto de Carvalho
Portugal, 79 anos
182 textos (7606 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 11/12/16 10:05)
José Augusto de Carvalho