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In- Morais...

Quando minha alegria se esvai,

Num riacho chamado ilusão,

Correndo para o mar, meu sangue vai,

Árido se torna meu coração.

Fica em meu peito incrustado,

O escuro nublado de um dia sem cor,

E no céu minha memória,

As nuanças de minha dor.

Quando o sol não vem,

Minhas cores perdem o vigor,

E o dia parece não ter divisão.

Fundem-se claro e escuro,

Começa o império da solidão.

A vida esfria, o sangue gela, morre a esperança.

Só escuto sussurros ao vento,

Fruto de meus tormentos.

Ao longe uma canção...

Sintoniza o meu coração num lamento,

E perene é meu silêncio.

Pois o selo nos lábios, permite ouvir,

As rajadas de vento, que feriram meu corpo,

E faz gritar minha alma.

Dos dias de sol, só resta a lembrança.

Da brisa a suave carícia,

De um sorriso a esperança...

De que o sol vai nascer,

Mais uma vez para mim...Em mim!

Tristeza, maldita, tristeza!

Que inunda os campos de minha história,

Me abraça com jeito de dona,

Fazendo em meu peito trajetória...

Tão presente como o ar agora.

O grito de minha saudade,

Sufocado no peito, transborda aflito, sem coragem,

Por nuanças de um quase sentimento,

Que não passou de ilusão.

Delírios de um infante coração,

Que sem importar com a cronologia do tempo,

Insiste em ser eterno rebento.

A cada novo romance,

Remete aos de Verona.

E ouve as promessas feitas em nome da lua,

Celeste mutante, como as juras dos amantes!

Com coragem, sem vergonha,

Desprovida de maldade.

Eternizei o fascínio da descoberta,

Um sorriso tão lindo...

E meu coração renovou, remoçou, pensou...

Ter alcançado a felicidade,

Nos braços de um amor de verdade.

Mais a cabo da descoberta do engano,

Miragem criada no oásis no meu árido mundo,

Abraço a imagem, some a paisagem...

E  no vácuo dos braços, só meu próprio corpo,

E na memória, o retrato criado pela necessidade,

Que tem meu coração de cumplicidade... Bobagem,

Frágil defeito do amar sem limites,

Sem respeito a fronteira do real,

Despenco num precipício fatal.

Sem volta, com o final mortal.

Como os sonhos e o desperta,

E com ele a realidade.

Melhor não sonhar?

A resposta me foge a galope.

Só em meu leito, sucumbindo ao terror,

Sou a imagem da dor.

Meu olhar perde o foco,

Soluçando sufoco num lago escuro e frio.

Mergulhada num turbilhão,

Chamado solidão...

Meu coração sofre de mal de amor.

Tão ridícula afirmação.

Me faz ver a razão,

De tão ridícula eu ser,

Pois morri, por te conhecer.

Meu sonho sempre raro,

Dono da minha paixão,

Meu homem de ilusão.

Meu pirata, que vai singrando os  mares,

E me levou em suas viagens,

Como presa de pilhagens,

Troféu que expõe com triunfo.

Para provar sua coragem,

Seu poder de abordagem!

Numa estalagem qualquer,

Ao pé de um balcão,

Bebendo com muitos irmãos,

Brindado aos tolos,

Contando vantagens,

Relatando nossos momentos de paixão,

Não percebes o que fazes?

Colocaste meus sonhos num caixão.

Sepultou minha emoção.

E a desilusão veio me fazer morada.

Hoje, só e apaixonada,

Triste e desacreditada de tudo.

De você, de mim, do mundo!


Observadora
Enviado por Observadora em 13/02/2006
Código do texto: T111393
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Sobre a autora
Observadora
Salvador - Bahia - Brasil, 50 anos
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