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IDADE

por mais que chegue
[a idade]
haverá uma inconseqüente liberdade
para os achaques, as manias, as ranzinzices,
para dores que guardam o corpo pouco
cheio de tantas supertições.

chega e não chega à-toa
[a idade]
por mais que sinta, com todo ou nenhum direito,
de perdoar ou acusar a quem quer que seja
ao falar o que der na veneta.

chega quando puder chegar
[a idade]
sem ar de enfermidade,
apesar da poesia acontecer mesmo antes de aprender
a contar do branco ao seis, pedras de dominó.

chega quando quiser chegar
[a idade]
mesmo quando a insensatez dos jovens
achar, que apesar, é ridículo saber namorar bem,
brincar com o tempo
mesmo consciente de que algum passou,
e manter o corpo sempre em estado de alerta
 [não só para felicidade como também para o humor]
pronto para achar, caso nunca tenha encontrado,
a primeira história de um grande amor.

chega quando não mais souber
[a idade]
que o formigar na mão era chuva fina,
que o enrugar da pele era coisa de cidade vazia,
que amorenar não seria tomar um banho de sol ao dia.

chega bem-vinda, ó tardia
[idade]
mesmo que se alguma dor no corpo contigo vier
não traga, jamais, arteriosclerose à alma.
Djalma Filho
Enviado por Djalma Filho em 21/02/2006
Código do texto: T114748
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Djalma Filho
Salvador - Bahia - Brasil
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Djalma Filho