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NÃO QUERO SER...


Anna Carolina, minha filha: tua mania inspirou-me este poema. Sobre o fogão a panela. Abri e o fundo estava cheio de piruás.

Pensei: por que ao invés de fazer pipocas no forno de micro-ondas ela prefere fazê-las com milho antes da sua sessão de cinema em DVD?

Tua mãe diz que teu avô fazia a mesma coisa. Há pessoas que preferem fazer as coisas de forma mais difícil, mas na vida o que nos chega às mãos de forma fácil não tem sabor.

Que na tua vida, minha filha, só haja piruás em tuas pipocas, mas que tudo o mais te seja pleno e sereno em qualquer terreno.

Te amo e agradeço a Deus por seres minha filha. Que Ele te abençoe e guarde, como todos os dias Lhe peço. Um beijo. Papai

NÃO QUERO SER:

piruá na tua pipoca
pedra no teu caminho
lagarta na tua goiaba
espinho do teu porco
aperto no teu sapato
tua verdade que dói
tua mentira que corrói
pão levedado
escassez do pão nosso de cada dia
mosca que caiu em tua sopa
amigo urso, inda que com saudações polares...
pulga atrás da tua orelha
teu mato sem cachorro
pinguela na travessia da tua vida
o gambá que te cheira
o caroço do teu angu
atraso do teu trem
dúvida das tuas vias
passado sem futuro
sarna pra te coçar
o mal acompanhado da tua companhia
sábio nem sabido
consciência que acusa
balança da tua consciência
raposa no teu galinheiro
teu remédio, sobretudo amargo
conto que não conta
contenda em tua tenda
tua conversa fiada
nuvem que esconde teu pôr-do-sol
teia de aranha
abismo
tormenta
a porta do nunca mais
tua desesperança
teu julgador
pepino que nasceu torto
desgosto no teu agosto
mentira sem verdade
pedra dura na tua água
águas passadas no teu moinho
a espera sem alcance
gaiola que te impede de voar
âncora que te prende ao porto
anoitecer sem que tenhas certeza de que novo dia virá
leite derramado
teu choro
dois pássaros voando
exemplo
lição de vida
ranzinza no teu envelhecer
teu 1º de abril
joão-de-barro sem casa
teu salto mortal
lembranças sem lambanças
agora é tarde demais
tua dúvida
a semente que não germinou
teu deserto sem oásis
má notícia
só beijo roubado
caracol sem casa
pressa do teu longe
espinha atravessada na garganta
o intragável
sonho que morreu
soneto da tua emenda
nó górdio
estopa para teu prego
espeto em tua casa
formiga que criou asas e te perdeu
o jardim sem flor
o coração sem amor,
insensível ao sofrimento de todo ser vivo...
O FIM...
DE TUDO...


nvelasco
Enviado por nvelasco em 22/02/2006
Código do texto: T114807
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Sobre o autor
nvelasco
Niterói - Rio de Janeiro - Brasil
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