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Texto

FRANCISCO


Um dia, talvez no sertão,
sobrará um pouco mais de dia
quando o sol, sol sempre estará
enquanto o dia souber arder.

Um dia, talvez no sertão,
trovejará para acolher São José
quando o sol, sem estar, encolher
para a água da brotação ficar
nos céus dos mandacarus.

[O sol fez sua função]

Quem sabe, talvez um dia,
quando os ventos sudestarem
e mudarem Francisco do seu curso,
[o pobre voltará a ser rico]
o povo
[já condenado]
que migrou como ninguém
voltará a ter cultura,
melhores dias de sol,
quando o sol só era sol
mesmo antes, até, de arder.

Amanhã, um dia, quem sabe,
a palma não alimentará mais a sede
do gado parco, dos retirantes, dos vaqueiros,
dos filhos dos filhos que, desde cedo, sabem rezar
a missa que Raimundo Jacó encomendou.

Quem sabe, assim, um dia
uma cantiga de sanfona numa caatinga nordestina
cantará o lamento dos dias em que o sol ardia,
quando os passarinhos abanavam asas
para que o calor logo passasse.


Djalma Filho
Enviado por Djalma Filho em 22/02/2006
Código do texto: T115125
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Djalma Filho
Salvador - Bahia - Brasil
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Djalma Filho