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Caminhos da Vida




Flui a água cristalina, suave e pura.

Em tranqüilo leito vai descendo...

Nas curvas descansa em brava ternura.

Entre ramagens e sombras se refazendo...

Flores e verdes à deriva na doce corrente...

Prateada linfa que passa e murmura

A deleitar a vista de toda criatura...

 

Lá embaixo, entre tapetes de crinas.

Desliza voluptuosamente fecundo.

Como poeta de opulentas rimas...

Mais adiante, deita suas fluídas madeixas.

A se arrastarem por entre o vale mudo,

Zombando da morte, sem lamento ou queixas,

Em andar de deusa e em sono de garças,

Nos braços guardando os seios quais taças.

No entanto, em terrenos cinza, sem beleza,

Como que chorando noite triste da natureza,

Põe-se a errar por incertos caminhos,

Aguçando no ventre, negros redemoinhos...

 

Nuvens de ventanias tombam-lhe galhos...

Seu divã profundo desalinha-se nas beiras...

Sob céus que ligeiros fogem do agasalho...

Na tormenta bravia queda-se em corredeiras...

Despencando de misteriosas alturas...

 

Longe, o oceano engole o tempo em tremuras...

E tal como corpo que busca abrigo eterno,

Em vez de implorar por desejos informes,

Viajante do espanto à luz de um sol terno,

Vai, corre, salta, dança até sem razão...

E com abrandada sofreguidão dá vazão

À lassidão sem nome, como porta secreta...

Une-se às espumas salgadas arrulhantes...

E afoga-se nos lábios da maré desperta,

Num beijo de vida sem dores ou vazantes

 

Ivete Tayar
(autora)


Direitos Autorais Reservado
Lei nº 9.610

 

 

Ive
Enviado por Ive em 23/02/2006
Código do texto: T115317
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Sobre a autora
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