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O ANDARILHO

Tu me deixas tão confuso!!!
Entro em parafuso e, sem chave de fenda,
não sei se me fixo; se sou prefixo ou sufixo,
mas certamente prolixo... Te encho de
queixumes, por atos ou palavras, e sabes
que são ciúmes...não fazem parte dos meus
costumes, mas tuas palavras têm perfumes
que me deixam embriagados e se queres
saber adoro esse mistério que é um refrigério
e uma delícia, e sabes que me enches
de malícia e desejos de tuas carícias...

Ele não aceita essa estória de lenda...
Tu és de carne; ossos e sentimentos...
É capaz de armar tenda para que te
prenda, como fazia na fazenda...
fecha do caminho as sendas e, assim,
sem emendas, não haverá contendas...

Talvez seja melhor assim...
Não te quero muda como a minha
rocha para quem eu gritava e ela
me respondia não o que queria ouvir...
Nesta me pegaste. Fui analfabeto e me
esqueci de que um pingo é letra...

Foste a mais bela página de prestidigitação
da minha vida. Acabou a mágica. Dessa
cartola não sai mais coelho...

Respeitável público, acabou o espetáculo...
Tudo que vocês viram, crianças, foi uma
simulação de obstáculos postos nestes receptáculos.
Aprendam: a vida não é uma ilusão de ótica...
Não permitam que ela se torne caótica,
tudo que vocês viram tem função hipnótica
na mente de vocês; mas a agucem para que
não fiquem neuróticas.
Tudo foi brincadeira...Bolhas de sabão ao
vento; o barquinho de papel jogado no
ribeiro e que achamos que vai parar no
oceano. O mundo de vocês, crianças, é
assim. Façam suas lambanças para que
tenham boas lembranças...
Esta é nossa aliança: que continuemos
alimentando a esperança, a maior e
verdadeira ilusão da vida, que recebemos
e repassamos como herança...


Se ela perguntar por mim
digam que não sabem para onde fui
porque também não sei para onde vou...
Se quiser saber se chorei digam que saí
sem olhar para trás para não me arrepender
de ter ido para onde deveria ter ficado...
Digam mais: minha morada é efêmera
e os meus pés não se prendem...
Minhas raízes são aéreas e
onde eu estiver aí será meu lugar...
A porta da minha pousada
só é aberta por dentro porque
a chave está no coração dela...
Se tiver, deixem-na entrar...
Se eu voltar, um dia, é porque me achei...


























nvelasco
Enviado por nvelasco em 01/03/2006
Código do texto: T117397
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Sobre o autor
nvelasco
Niterói - Rio de Janeiro - Brasil
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