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A FLOR DO MEU DESERTO...

Não faz barulho... Meu nome, agora, é Silêncio... Minha vida é esse deserto... Não tenho caminho certo...Ao contrário do que muitos pensam, o essencial fica perto...Não há distância porque tudo é igual e caminhar muito ou pouco não tem relevância... estamos sempre no mesmo lugar... é da sua substância...

Hoje é um dia especial... Vim assistir ao teu desabrochar...é chegada a primavera...Valeu a espera...És a única flor, e por isso a mais bela deste jardim... onde o mundo parece não ter fim... Não quero perder o espetáculo... Tu embelezas meu universo e, neste deserto em que vivo, tu serás por algum tempo a minha única compahia e, por favor, não oponhas obstáculo. Não te acanhes em cumprir teu ciclo...Não te perturbarei porque cada vez que te sinto eu me reciclo... Quero sentir o teu perfume primeiro ...Tua fragrância me impregnará por muito tempo... até mesmo o ar que respiro nesta terra onde só nós dois existimos ficará com o teu cheiro... Tu entenderás, então, o quanto representas para mim. Quando estranhos objetos cortam o céu em estrondosos barulhos venho depressa fazer-te companhia para que não fiques temerosa e se feche deixando meu mundo mais solitário e infecundo. Sem tua presença; sem teu aroma, a quietude deste lugar fica sem beleza e esta é a grande diferença... Tu és a minha sorte e nesta solidão não há quem suporte...Não és apenas a minha flor, mas o meu jardim, porque só tu povoas meu deserto. O meu silêncio grita todo o tempo por tua companhia... Tua vida é tão efêmera. És imprescindível à emoção que me habita o desejo escondido... Tu és filha do mistério... Da ave perdida do seu bando ou do viajante errante? Tua semente veio do espaço ou do cansaço?
Como sobrevives em solo estéril neste infinito? Não importa... Deixa contemplar-te na tua majestade sem alarde enquanto não é tarde... Quero uma primavera de 365 dias... vê se tua partida adias... procura tirar desta areia vigor para prolongar tua permanência no que me resta de existência...Não quero que te vás ainda... esperei por tanto tempo a tua vinda...Te darei o sereno da noite que recolho em forma d´água...Fica...Não me deixa com mágoa...
Se fores por ordem da Natureza mais se acentuará minha pobreza... Continuarei minha caminhada sem caminhos e conservarei no peito, até a próxima primavera, a minha tristeza...
Esta é a sina do viageiro que se perdeu da vida e escolheu o deserto como cativeiro...


nvelasco
Enviado por nvelasco em 02/03/2006
Código do texto: T117995
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Sobre o autor
nvelasco
Niterói - Rio de Janeiro - Brasil
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