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ENTREATO NA BOCA DO RIO

- Acorda, amor !
Já são onze horas
A folia "acabô"
Já é amanhã
Vamos fazer oferenda
Prá a rainha Iansã
Tomar banho de mar
No Farol de Itapoã
Depois comer vatapá
Em Nezinha de Piatã

- Acorda, dengosa !
Ôh! morena fogosa
"Cê" inda me mata "mulé"
Se cobre logo, danada
Eu sei o que voce "qué"
Não "guento" mais, sua malvada
Já não chega ontem à noite ?
Parece que levei porrada
Igual escravo no açoite
Se aquieta "mulé" !
Já sei o que você "qué"

- Levanta, meu bem !
O que é que você tem ?
Quando você fala assim
Eu fico zangado
Acredite em mim
Não tem mais ninguém
Você é a primeira
E também a derradeira
É que eu tô bem cansado
Eu também aprecio
Mas você até parece
Uma onça no cio

- Lá vem você, novamente
Se chegando,toda melosa
Ai! meu Senhor do Bonfim !
Essa "mulé" é meu fim
Me acabo todinho de novo
Amanhã eu não vou "trabalhá"
Depois não vai ter dinheiro
Prá "a gente" comer vatapá

- Você tá pensando o que, "mulé" ?
"Cê" sabe que eu sou seu macho
Não pense que eu sou seu capacho
Vou lhe dar o que você "qué" !

( E neste dia, os dois não foram tomar banho de mar na praia do Farol de Itapoã, nem foram comer vatapá na barraca de acarajé de Nezinha de Piatã)

Ah! esquecí: no outro dia, ele também não foi trabalhar...

Dionisio Teles
Enviado por Dionisio Teles em 07/03/2006
Reeditado em 07/03/2006
Código do texto: T120028

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Sobre o autor
Dionisio Teles
Barueri - São Paulo - Brasil, 64 anos
177 textos (43635 leituras)
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Dionisio Teles