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Inferno Frio

Por baixo da camisa de malha
Tremia a timidez que ardia
E na doce paixão silenciava
Aquela mulher que te cabia

Mas a lingerie vermelha exaltava
Envolvia a pele macia em brasa
Entre delicadas rendas espreitava
Vazando em fendas a Deusa disfarçada
Que se continha, sedutora e paciente
Aguardando de ti um só movimento
Para que explodisse em lavas invisíveis
A enlouquecer-te em prazeres indizíveis

Mas perdeste o gesto, simplesmente.
Bastava livrá-la da imensa camisa
E chegarias ao Olimpo naquela noite quente.
Saberias o exato sabor das ambrosias.
Vislumbrarias como os deuses se amam
E com quais sortilégios tramam os dias...

Agora te debates em silenciosa agonia
Te escondes da Deusa na hora tardia
Que te vê do alto, e se entedia.
Apaga o fogo da Pira.
E te aponta - displicente - a ira.

Condenado a vagar cego, louco e irônico
Édipo sem Eletra a zelar-te a alma vazia
Viverás escravo, apático, sem brio
Para enfim chegares ao inferno, atônito.

Porém não te esqueças. O inferno da Deusa é frio ...


Claudia Gadini
19/02/05
Claudia Gadini
Enviado por Claudia Gadini em 09/03/2006
Reeditado em 09/03/2006
Código do texto: T120986

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Sobre a autora
Claudia Gadini
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil
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Claudia Gadini