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O GUARDIÃO DO TEMPO

O relógio é , a um tempo,
meu consolo e desespero.
A cada vez que atento,
vejo nos seus ponteiros
que ele é, além do mais,
o guardião do tempo.
E, a exemplo do mestre,
funcionário aplicado,
guardião inflexível,
juiz inexorável.
Do alto de seus ponteiros,
determina, inabalável,
que passe o tempo,
acabem as horas,
e que sigamos vida afora,
marionetes impotentes,
observadores apenas.
O tempo segue
e com ele leva tudo:
passam com ele as horas,
os minutos, os segundos,
as horas infindáveis,
modorrentas, intermináveis,
mas com mais eficiência,
nos leva as melhores, as memoráveis.
Leva também os amores
que um dia ousamos amar
na ingênua certeza
que jamais iriam passar.
O ponteiro se mexeu.
Outro momento se foi, morreu.
Junto com ele, um pedaço
do que fui, que agora não é mais eu.
Passam as coisas, as pessoas,
você, eu...
O relógio é o nosso algoz.
Tira-nos o tempo
que tentamos reter no vão dos dedos.
Tira-nos a vida que queremos eternizar
e, aos poucos,
tira-nos também a voz.


Débora Denadai
Enviado por Débora Denadai em 19/04/2005
Código do texto: T12123

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Sobre a autora
Débora Denadai
Caracas - Distrito Federal - Venezuela, 54 anos
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Débora Denadai