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PAUSA

Pausa.
Por um momento, a sensação exata
de que a língua me castra as palavras.
A língua castra-me a língua.
A língua é o fracasso declarado da poesia.
A língua é a negação da palavra.
A palavra que intitula
é a mesma, que dentro de mim,
capitula ante o que quero dizer.
A língua castra-me e a mata a poesia
da mente, da alma, do espírito.
O amor não se faz com palavras.
Dizer 'amor' não faz o amor.
Ele é, por si, indizível.
O amor que eu falo, não vive.
O silêncio fala melhor por ele.
A língua, órgão de recriação,
é a recreação do sentimento.
O amor que se vive, não se vê.
A emoção que acontece, não se vê.
O invisível conspira e
silenciosamente batalha com a língua.
Pauso.
Que faço com as palavras que não posso ver?
Que faço com a língua que castra a poesia?
Extraordinária esta guerra entre o invisível
e a língua que vai-me podando a fala...
Não importa. Só o que interessa
é este silêncio mortalmente eloqüente
Débora Denadai
Enviado por Débora Denadai em 19/04/2005
Código do texto: T12126

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Sobre a autora
Débora Denadai
Caracas - Distrito Federal - Venezuela, 54 anos
722 textos (154014 leituras)
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Débora Denadai