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NÚ POEMA NO MATO

Belo / forte / espadaúdo /vigoroso /
poema de grama / cachoeira / veludo / cheiroso /
um poema sabe ser o que quer quando lhe convier /
vergonha pra que se o poema sábio ser lindo
sabe na hora que quiser...
Destampa a tampa do sol e de lá derrama a rama de luz /
o séquito de formigas folhas aos pés do fauno tributam /
o coro das cigarras embala noites enluaradas que escutam /
cintilam vagalumes na ciranda aérea que a noite seduz...

Faunos e centauros e flautas panteístas seduzem nuas
fadas / oram duendes e druídas / poções criam novas luas /
o farfalhar de risadas sobre a pele do orvalho cria céus /
do centro do sonho jorra / cascata infinita / cor de mel...

Despojado / remanescente de deuses / o poema dança / alheio à vontade do tempo que cozinha séculos em calma hora /
o perfume do tempero se mistura à colheita de centeio /
espreita a nau dos anjos em nuvens que o céu colora...

Findo por beleza e encanto em têmpera divina e não humana /
lindo por ser belo e não feio por ser o fim e não o meio /
o poema recusa honras e medalhas e glórias e cetim e cama /
se esgueira no front como bebê que busca seiva em novo seio.

Preto Moreno
10/03/2006


 












Preto Moreno
Enviado por Preto Moreno em 10/03/2006
Código do texto: T121341

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Sobre o autor
Preto Moreno
São José do Rio Preto - São Paulo - Brasil
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