Capa
Cadastro
Textos
Áudios
Autores
Mural
Escrivaninha
Ajuda
Textos
Texto

Minas... de dor-lonjura

______________ Minas
.
1.
Festival de Inverno,
festa mineira
em Ouro Preto;
recordar
faz-se, agora, vontade
de pranto amado.
Quase ouvi Djavan;
foi na véspera
de nós por lá
e ante véspera
de Mariana.
"Festa do sol,
melodia crepon
e papel maché"
João Bosco
bem adentro
de Juiz de Fora,
por fora da ânsia
e mais além
das cores de mar.
Pois
venham lágrimas !
Recôndita a nascente
de um traço
aguarela serpente
no meu rosto
nos confins
de uma paixão .
.
2.
Fica um amor menino
que não morre
que brinca ardendo
de uma dor em chama
de uma cor chamada
...saudade.
Talvez bastem
bem poucas letras
para que eu parta,
ou uma só palavra,
apaixonada, que peça
"Vem!"
outra, apaziguante,
que diga
"Vai!"
e a tanta força
que tem em mim
a pequenês
com que se escreve
o "Voo!" e
a imensa distância
que ele cumpre.
Talvez um dia
é tão mais lindo
do que nunca mais!
.
3.
Que estrada aquela
de Belo Horizonte
ao Rio
a um tempo linda
e difícil
de agreste a suave
e aquela serra
de sonhos e medos
nevoeiro
e chão orvalhado
a cegueira para lá
de um palmo
de distância
e o sítio do alemão
naquele alcance
de Petrópolis.
Seria pão de batata,
pão de queijo, mas,
decerto, um copo curto
cheio de algo além
dos cinquenta graus
mais o sorriso
equiparado
ao número primo
de um episódio,
ao rectângulo
rótulo de garrafa
e ao círculo negro
em que eu leio 51.
Está despenalizado
o não comer feijão
mas para quem gosta
sobra a recordação.
.
4.
Banana prata ou nanica
mas para fazer pastel
uma rodela bem gorda
talhada de esguelha
a alongar mais
a delícia;
que eu espero de pé
grudado na fome
(mais) saudade
do caminhão da Mexicana.
E é tão doce
de ver que ele está lá
naquela esquina;
imaginar que hoje
também não faltou
e que uma criança
de mãos e boca cheias
se engasga a dizer que
"'Tá gostoso, né mesmo?"
Ai!, aquele pastelinho
que a mãe avisa, sim!,
pois que está
"esquentando
a língua prá chuchu" !
Uma nostalgia
nos olhos de alguém
mesmo ao lado
a recordar o pastelinho
de Cabo Frio
e um romance escaldante
de Verão... em Dezembro
...era Natal!
E salga-se a boca
de não se enxugar o rosto
do sabor magoado
de sonhar
...um regresso!
.
5.
Sou mineiro por contágio
incurável... Ué?... Uai!
Sou mineiro
por maioria qualificada
das minha células
maiores e recenseadas.
Sou mineiro
de uma fogueira
que não precisa de lenha
e só se apaga
no fim do ultimo cupim.
Estou sem terapia
para aquele jeito
do virar as costas
e deixar atrás de mim
um tudo imenso e máximo
a começar e a rimar
com o abraço do meu bem
e tão bem, tão sempre,
tanto... tanto... tanto.
Desesperante, prolonga-se,
mas, ao nosso jeito,
tolamente "perlinga-se",
num espanto, o meu viver
que não despenca
deste reviver
e o mar que se revolve
adentro ao amar!
.
6.
Entretanto, entre... tanto
agarro uma esperança
à margem da corrente.
Retenho-me num ocaso
em que espreito
por sobre a minha ceara
a lonjura do criar
dos meus filhos
e agarro outro poema
a abarrotar de ti,
aqui dentro,
debaixo deste alpendre
tão acolhedor
como os teus braços.
Ai!,...teus abraços!
Não há nada
que eu possa arrancar
ao destino!
Só tenho um tempo
para dar ao tempo
um voto a ecoar em mim
que nada se altere
nos corações lindos
da gente!
.
______________LuMe
Luis Melo
www.lumelo.com


Luis Melo
Enviado por Luis Melo em 20/04/2005
Código do texto: T12139
Enviar por e-mail
Denunciar

Comentários

Sobre o autor
Luis Melo
Portugal, 59 anos
64 textos (2257 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 07/12/16 11:12)
Luis Melo