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Descansem, Poetas

Saem, Pessoas.
Deixem-me Bandeiras, Prados e
tantos outros que de alguma forma
norteiam-me. Não sou literato. Sou eu.
Apenas eu. Não me reconhecem?
Tenho a busca permanente do meu eu lírico.
Do meu eu favorável.
Do meu eu clássico.
A vida passa e eu não passarinho.
Nem tampouco perdi a chave.
Continuo querendo abrir a porta.
Aqui mesmo, independente da contra-mão.
Descansem Coralinas, Drummonds, Lispectors  e
tantos outros que me fizeram sentir
o cheiro do mato, ouvir rios, viajar em regatos.
Aprendi a distinguir brisas, escolher estrelas,
a ouvir pássaros.
Ah! Que o tempo passa e a Lua continua noturna.
E as noites são longas, tão longas quanto
a minha insensibilidade ao traço abstrato.
Quero o latente. O vivo. O borbulhante.
Daí, piso em folhas, tateio a luz, preencho espaços.
Descansem, Poetas. Meu grito é mudo. Não acorda
o mito, nem me faz inconstante.
O lamento é parte do meu contexto, já que a vida,
a vida, sim, Poetas, lateja intensamente no meu instante.
Dora Leal
Enviado por Dora Leal em 17/03/2006
Código do texto: T124519

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Sobre a autora
Dora Leal
Belo Horizonte - Minas Gerais - Brasil
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Dora Leal