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QUEM CRIADOR, CRIATURA?

Na cama, confundido com os lençóis,
não fosse o rio de cabelos escorrendo sobre o rosto.
Olho você e sorrio, quase gargalho com gosto.
Filho, quem é que te deu este ar tão bom moço,
se vens de árvore tão torta, tão criada pra santa
e virada em rebelde, pra ser da casa o desgosto?
Olho de novo e me perco na delícia e no orgulho
quase arrogante de ter te botado na vida.
Olho de novo e pergunto a mim mesma
como pode, você me diga,
quem abriu caminho em meu corpo à força e dor,
ter virado remédio pra minha mais terrível ferida?
Segue entrando por todas as minhas portas
sem bater nem pedir licença, e assim, meio às tortas,
vai entrando, revirando casa na mais sutil displicência...
Espalha em cada sorriso seus brinquedos
pela minha vida e por toda parte da casa,
porquinho da índia, não gosto de banho,
vou voar, borboleta sem asa.
Vai gerando a cada minuto uma nova eu desconhecida,
onde eu me sabia fraca, guerreira;
onde eu me sabia indefesa, verdadeira fera;
onde eu me pensava escuro, luz;
onde sem rumo; flecha certeira;
onde pacífica, pronta pra guerra.
Filho, fica aí dormido como um anjo
(que todo filho quando dorme é anjo
mas na hora que acorda, Deus nos proteja...)
Filho, dorme que esta doida que te pariu
segue insone à tua beira e te beija.
Filho: quem criador, criatura?


Débora Denadai
Enviado por Débora Denadai em 22/04/2005
Código do texto: T12529

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Sobre a autora
Débora Denadai
Caracas - Distrito Federal - Venezuela, 54 anos
722 textos (154026 leituras)
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Débora Denadai

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