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SENTIMENTOS DE UM PEREGRINO

Sou peregrino,
Sou caminhante,
Mesmo cansado
Sigo adiante.

Trilho a terra,
Trilho o asfalto,
Acompanhado ou sozinho,
O astral lá no alto.

Ando,
Não corro,
Planície atravesso,
Subo o morro.

Admiro a vista,
Descanso, relaxo.
Mochila nas costas
E lá vou eu para baixo.

Pássaro cantando,
Água correndo,
Descida é fogo,
Joelho doendo.

Chuva cai,
Escorrego na lama,
Saudades de casa,
Da minha cama.

Sol novamente
Já no poente,
Albergue à frente,
Vontade de banho quente.

Papo animado
E não estou mais cansado,
Boa comida,
Melhor a dormida.

Se a cama é dura,
Macio é o sonho,
Se o ronco incomoda,
Não me indisponho.

De alguém sinto um pum
Também solto um
E acordo maneiro
Como bom caminheiro.

Pela manhã, se tem café
Não tem leite
E quando tem os dois
É puro deleite.

O pão tá dormido,
Mesmo assim é comido,
Levo a banana,
No caminho, a fome é tirana.

Na frente, a turma segue
E eu, que nem jegue,
Fiquei pra trás.
O momento me apraz.

Penso na vida,
Na vida vivida,
Na vida a viver,
No meu bem querer.

Não estou mais sozinho,
Já tenho vizinho,
Conversador,
Inquisidor.

Da minha vida quer saber,
Da dele quer contar:
Brigou com a mulher,
Está com bolha no pé,
Veio espairecer,
Do trabalho esquecer,
Disse que o terço rezou...
E tudo o mais falou.

Emudeceu de repente,
Seguiu em frente
E eu, novamente sozinho,
Prossigo o caminho.

Aviso animado:
Estou atrasado,
Mas vou chegar,
Pode aguardar!

Asfalto bem quente,
Caminhão passa rente,
Paro no bar.
Alegria!
A turma aqui está.

Nem dá pra descansar,
Já estão saindo,
Esperem!
Também já vou indo.

E toma asfalto.
O jeito é cantar
Pra reanimar.
Ajuda a chegar:
“Nosso caminho será abençoado...” (cantando)
Passo o recado:
Veja!
No alto a igreja.

“Porque o Senhor vai derramar o seu amor..”(cantando)
Esqueço a dor,
Nem sinto o calor.
“Derrama senhor, derrama Senhor,
Derrama  sobre nós o Seu amor..”. (cantando)

Chegamos!
Abraços, beijos, festa.
Alegria, só alegria.
Nenhuma misantropia.

O momento é marcante,
Emocionante.
Meu espírito vaga.
A vitória meu ego afaga.

Novos amigos,
Bons companheiros,
Passaram comigo
Dias inteiros.

Recordo distante,
Me ajudaram bastante.
Camaradas de fé.
Eu e eles, cré com cré.
 
Mal chegamos
E é hora de voltar.
Saudades já dá.
A vontade é ficar,
Mas tenho outro caminho a trilhar:
O calor da esposa a me esperar,
Ouvir dos filhos
O que têm pra contar.

E também contar
O que vi, senti, ouvi...
E ansioso
As fotos revelar.

O que disso tudo ficou?
Alguém perguntou.
Respondi com firmeza e ardor:
Ficou o amor.

Amor refletido na singeleza
Dos sentidos, perfeita beleza:
Ver, ouvir, tocar...,
Sentir os aromas,
Aguçar o paladar.

O amor visto na sinceridade
Dos amigos de qualquer idade,
Dos companheiros de ontem e de hoje,
Que me tratam com honestidade.

Amor na hospitalidade
Dos que abrigam
E a servir se obrigam
Com pura espontaneidade.

Amor com solidariedade,
Que se experimenta de verdade,
Que se sente amiúde
Em toda plenitude.

Se faço um caminho
Me encho de brio,
Percorro minha vida,
A vejo sagrada, ungida.

Minha fé revigora,
Tenho mais raça,
Sinto que recebo agora
De Deus toda a graça.
Hegler Horta
Enviado por Hegler Horta em 23/03/2006
Código do texto: T127304
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Sobre o autor
Hegler Horta
Brasília - Distrito Federal - Brasil, 70 anos
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Hegler Horta