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SINCERAMENTE

Sinceramente, não sou poeta, sou é gente,
caminhando, mansamente, à mansarda dos dementes,
na árvore vejo a semente, a flor entre os dentes
é só um poema avulso, escrito entre soluços,
o verso em estado bruto é montanha sem lapidar,
o diamante que eu encontro vem do lento oficiar,
sinceramente, me escutem, a luva que veste o verso
é só pra esconder o imerso sentido da pulsação,
se tem estrelas no céu, por quê não no coração,
um saco de verbos nascentes cai-me do bolso furado,
é ali que brota, no mato, um soneto, quiçá, um fado,
digo de pronto e não nego que sou um sinal e trafego
nas veias das contelações, trago um estojo sincero
com pérolas poucas e pregos, em calmo nenúfar me deito,
as portinholas no crâneo são os caminhos pro peito,
vem cá, te recito em vela mil chamas, mil caravelas,
vem cá, te canto doce harmonia que avistei da janela
enquanto passava a pé e via ao longe a multidão
que se banqueteava com essas poucas palavras
que escaparam, velozes, enquanto a boca falava,
vindas do meu coração.

Preto Moreno
23/03/2006
 
Preto Moreno
Enviado por Preto Moreno em 23/03/2006
Código do texto: T127485

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Sobre o autor
Preto Moreno
São José do Rio Preto - São Paulo - Brasil
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