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GRANDES MEDIDAS, PEQUENAS GRANDEZAS


Quando pequeno em toda a minha vida, deram-me réguas e ensinaram-me,
(à moda deles), todas as coisas medir.
O belo e o feio, o pode e o não pode,
O devo e o não devo, o vazio e o cheio,
O insensível e o sentir.

Quando pessoas encontrei pelo caminho, medi-lhes a cor.
O branco era branco e por ser  branco podia muito mais.
O preto era preto e por ser preto só podia como os animais.
Estranha forma de medir a vida,
Como se dentro de cada cor medida
Fosse-lhe estipulada a extensão
Entre aquele que pode
E o que não pode não.

Quando pessoas encontrei pelo caminho, medi-lhes o valor.
O rico era rico e por ser rico valia muito mais.
O pobre era pobre e por ser pobre desvalia entre os mortais.
Estranha forma de avaliar a vida,
Como se dentro de cada cabeça erguida
Fosse-lhe estipulada a elisão
Entre um fausto ourives
E um infausto artesão.

Quando pessoas encontrei pelo caminho,  medi-lhes a compaixão.
O avaro era avaro e por ser avaro tinha até demais.
O bondoso era bondoso e por ser bondoso
Até ao avaro deu-lhe mais.
Estranha forma de guardar na vida,
Como se dentro de cada moeda escondida
Fosse-lhe estipulado o valor
Entre o que doa sem cobrar nada
E o que tira sem nada pôr.

Quando pessoas encontrei pelo caminho,
Medi-lhes a sabedoria.
O sábio era sábio e por sábio sabia até demais.
O ignaro era ignaro e por ser ignaro nem sabia os sinais.
Estranha forma de saber a vida,
Como se dentro de cada palavra fornida
Fosse-lhe dada a compreensão
Que ao sábio escapa o sentido e ao ignaro não.

Quando pessoas encontrei pelo caminho, medi-lhes o amor.
O amoroso era amoroso e por ser amoroso amava muito mais.
O odioso era odioso e por ser odioso de tudo era capaz.
Estranha forma de celebrar a vida,
Como se dentro de cada diversa medida
Fosse-lhe estipulado viver
O intenso amor que cura
O que no outro pode morrer.

Preto Moreno
29/03/2006





Preto Moreno
Enviado por Preto Moreno em 29/03/2006
Código do texto: T130570

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Sobre o autor
Preto Moreno
São José do Rio Preto - São Paulo - Brasil
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