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ENQUANTO PENSO EM ÁRVORES




Quanto mais penso em árvores mais vejo quintais sintéticos
e flores maquiadas...
Se penso em florestas com sonhos escondidos,
Abraço os livros que estou levando para casa
Como crianças que busquei na escola...

Ando rodeado por plantas, (à moda de uma dança),
Pois nasci antes que o aço fosse jovem
E estou depois que ele já virou homem...

Reconheço galhos abraçados a galhos,
As goiabas secas se jogam ao chão
Murmurando que a boa morte
Produz húmus...

Um murmúrio de preguiça enguiça os movimentos
Que faço enquanto deslizo os patins do cérebro...

A porta escancarada é um quadro verde
Onde borboletas vivas parecem saídas
Dos pincéis do vento...

Tenho uma canção para cantar, a carroça no conserto,
As pernas arcadas do alicate me lembram  a vendedora
De bolsas na loja de um conhecido...

As árvores estão ali, sem rostos, sem pés e mãos,
Cavoucam a terra silenciosamente e separam e ajuntam
As peças elementares para se construírem...

Como um grande caixote, o universo parece feito
Sob encomenda para ser entregue a um destinatário
Que não deixou endereço...

Como uma grande e verde verdade, a Terra azul passeia
Seus emaranhados cabelos diante do espelho de infinitas estrelas...

Preto Moreno

 


















Preto Moreno
Enviado por Preto Moreno em 29/03/2006
Código do texto: T130574

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Sobre o autor
Preto Moreno
São José do Rio Preto - São Paulo - Brasil
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