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AMANTE DESAJEITADA

Não sou lá uma grande amante,
dessas em verso e prosa,
sei que mudo a cada instante
e ainda por cima, nem gosto de rosas.
Tenho manias horrorosas,
dessas que espantam os homens,
nem sempre estou pra prosa,
e meu mau humor nem tem nome.
Além de todos os defeitos
que eu possa enumerar,
fora todos meus malfeitos,
sou difícil de aturar.
Há dias que até eu mesma,
ainda que tenha vontade,
(e minha vontade é de lesma),
nem olho o espelho. Verdade!
Fora todo o indispensável
a uma amante que se preza,
tenho um defeito execrável,
que não cabe nem em reza:
não gosto de promessas,
não gosto de fazer planos,
se tem agenda, saio dessa,
nem meço perdas ou danos.
Agora, tem o seguinte,
que não sei se nisto basto:
se me pedires dez, te dou vinte
daqueles beijos e abraços
que, sem modéstia nenhuma,
tenho certeza, acredite,
não tens de mulher alguma.
Depois disso, meu querido,
que você já sabe bastante,
faço pouco e duvido,
apesar de todo o resto,
que eu não seja a TUA amante.
Não é empáfia, é empatia,
é saber o teu cheiro, teus rumos,
é ser feliz com tua alegria,
em estar assim: fora do prumo.
É sair dele contigo,
acompanhar o teu vôo,
ser o teu porto, abrigo,
sem plano, sem hora, sem fio.
Por gosto.



Débora Denadai
Enviado por Débora Denadai em 26/04/2005
Código do texto: T13149

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Sobre a autora
Débora Denadai
Caracas - Distrito Federal - Venezuela, 54 anos
722 textos (154019 leituras)
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Débora Denadai