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RASCUNHOS

Vá, parta,
[desolhe-me]
não torça mais teu pescoço
para não assistir
o despedaçar
deste amor com gosto de olhar.

Por ti fiquei
[poucos dias]
a pintar os cabelos
a raspar o bigode e a barba
como se estivessem caindo de maduros
ou gastos pela idade
à procura de uma idiota grama de juventude.

Sem ti à vista
[desenruguei]
e, passado, quase fiquei
ao perceber que as rugas dos quarenta não vinham
e nem a pele fresca de quando aos vinte
em busca do tempo que não sei.

Tua nova idade
[comparada à minha]
assaltou-me muros,
muros que nem meus cães ferozes, latindo,
gritariam: “Volte!”

Vá, parta,
[se quiseres, volte]
pela porta que abriu sem se fechar
com medo da falta
do quebrar as nozes, sozinhos,
na noite da noite de Natal.

Vá, parta,
[sem comigo junto]
com meu riso triste mudando de assunto
ao perceber que o riso antigo
não era só de alegria
[e sim, conjunto]
de tanto sorrisos havido há poucos instantes atrás.

Vá, parta,
rabisques-me
[se houver amanhã]
quando passares todo meu passado a limpo,
sem devolver-te em rascunhos.
Djalma Filho
Enviado por Djalma Filho em 03/04/2006
Código do texto: T133295
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Djalma Filho
Salvador - Bahia - Brasil
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Djalma Filho