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Sou Vago

sou início e fim, meio das coisas,
achado de luzes, perdido
em lampejos.

se sou, sou parte.
se tenho a posse, sou dono;
se me falta é porque
não ganho, se tenho,
é porque me sobra.

de sombras permeio igualdades,
e, se não me faço rei de povo nenhum,
é porque não tenho terras, e semeio
a discórdia entre os escudeiros de papel.

sou a borda e o vôo. tenho rainhas
fogosas e pajéns de cama. sou a
guarda e o pão.

guerreiros, imponho
à minha gleba e venço os inimigos
de mentira.
 
apenas quando sonho é que sou
príncipe de galenas, e só
ameio mares
desfeitos de areia, e
relés de pano, nem
conquistador de rainhas.

sempre de guarda, sempre afoito,
modelado em medo, espero a
sombra dela para fazer a minha.

espero os lábios delas para tentar
ser feliz. mas qual!

felicidade
eu só compro. vou às esquinas
sem vida, e na balança da vida,
faço a prosa e o verso. faço o
sexo e pago.

e por isso
mais afundo no
pórtico das cidade.

sou o
início e o fim,
sou o início do nada,
da espera e da tristeza,
sou fácil em
entender as estrelas
mas não amigo o sol.
 
e quando o dia tende a cair,
sou isso, sou aquilo.
rezo por zeus - deus dos aflitos.
 
não há fim, pouco princípio,
não existe igualdade e
quando de perdão eu peço,
dizem lá:

"lá vai o homem
de seis moedas e duas tristezas!


José Kappel
Enviado por José Kappel em 05/04/2006
Código do texto: T134155
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Sobre o autor
José Kappel
Nova Friburgo - Rio de Janeiro - Brasil
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