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Bom-dia, Ponciana

bom-dia, Ponciana,
que a procura da vida
ainda se mantenha
acesa e carinhosa.

que a mexa da vida
torne seu corpo
esplendoroso
em suportar
a dor
inteira
que atiça
seu corpo
milagroso.

eu, de cá,
do outro lado
da vida -
num corredor
áspero de
um hospital -
sou sombra de
piedade.

só tenho rezas,
boas esperanças,
e rasgos de
ansiedade.

ponciana,
criança que
morre
nos braços
de zeus,
é a única
que me faz
acreditar
que
a dor
tem injustiça
e a morte,
perene ferida,
pano de sombras,
onde se escondem
mouros, atiços,
débeis e hebreus e
todos aqueles sem
a proteção
dos santos
adormecidos.


*********************

11. JOGANDO FORA

algumas pessoas,
de mania em mania,
gostam de jogar
coisas fora,
até coisas
que ressoam.

um, joga briga fora,
outro,o cavalo manco,
o burro trôpego,
a escada de
escorregar,
a lâmpada
meio acesa,
a conversa franca,
a conversa ampla.

outros, jogam
a criança que
têm dentro,
bem pra fora,
outros não se
medem,
e jogam
o céu
pro vão do vazio
onde mora o vento.

quase todo mundo
joga coisas fora:
um retrato velho,
uma moldura do avô,
outros, inquietos,
jogam até saias
de carinho
pro resto do lixo.

até alá,
vai pro lixo solto.

e saias de mulher
feita,
rendada de carinho,
seguem o
mesmo caminho:
vão pro lixo,
onde o tempo
não tem volta,
e o amor
cai de morrer
de tanto chorar !

José Kappel
Enviado por José Kappel em 05/04/2006
Código do texto: T134172
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Sobre o autor
José Kappel
Nova Friburgo - Rio de Janeiro - Brasil
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José Kappel