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O MORADOR SEM LIMITES

                                                               
                                                         -          - aos moradores de ontem e do escuro -


Chegada é a hora
do prazer
enquanto não mais sonho.

[Tento!]

Dentro de ti há um ser vivo,
inconsciente, irrequieto, moderado,
que faz deste momento uma só solenidade;
teus olhos,
em tons de paz-quietude,
pedem clemência e calma
para que a espiritualidade tome a forma
unida também dos corpos.

Teu cheiro sobre o cheiro do meu corpo
parece de bicho-macho,
quase apressado.
Tua pele, sob e sobre minha pele,
[umedece-me]
leva-me, involuntária,
a movimentos.
 
[Ardo!]

Dentro de ti há um ser vivo,
inconsciente, irrequieto, moderado,
que faz deste momento uma só simplicidade;
teu corpo,
no dom de querer mais-e-mais,
exige artes e atletismos
para que as palavras mais articuladas
sejam exatamente fáceis.

Aconchegado à mim por horas e horas
qual um fauno a possuir-me
compulsivo
por outras tantas mais
a submeter-me
caprichosa
aos teus respiros
tão ouvidos.
 
[Devasso!]

Dentro de ti há um ser vivo,
inconsciente, irrequieto, moderado,
que faz deste momento uma só unanimidade;
tua alma,
de tanto entrar-sair-voltar-e-ficar,
agora desavergonhada
exige as sem-vergonhices mais tolas
do meu corpo nu em folha.

Passada é a hora
do prazer
quando não mais te escuto.
 
[Aflijo!]


Dentro de ti há um ser vivo,
inconsciente, irrequieto, moderado,
que faz desse momento uma só inconsciência;
tua inocência,
com ar de amor em bem-estar,
achada na segunda vista
escandaliza-se com as sombras nas paredes
[siamesas]
e apaga o filete de luz do quarto.

Chegada é a hora
da separação,
meu morador do ontem.

[Licença!]
Djalma Filho
Enviado por Djalma Filho em 08/04/2006
Código do texto: T136056
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Djalma Filho
Salvador - Bahia - Brasil
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Djalma Filho