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MINARETE



Quando morro enterro um poema comigo.
Quando ressuscito o poema é húmus.
Se deliro,
rompo a casca da larva
e acordo o corvo no meu peito, debruçado.
Ando só.
Pensando em violinos.
Tenho pernas longas e passos curtos.
Não tenho porque morrer de novo.
Escuto e rio a ela,
ri e me mostra mordidas
que ainda não me ofereceu.
Por quê não gozar a vida
dentro e fora da platéia?
O que é um poema senão as pernas
que apertam minhas costelas?
Tudo que retira de mim
é oxigênio das minhas artérias,
o último fio de cabelo do meu sovaco,
o poroso pensamento, geléia d'alma,
gosto turvo de vinho turbo
que amolece o estoque de nãos.
Não me dê um papel agora,
recito à estrela que vejo
a carne que trago,
minarete que dispensa comentários.



Preto Moreno
26/01/2000














Preto Moreno
Enviado por Preto Moreno em 11/04/2006
Código do texto: T137471

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Sobre o autor
Preto Moreno
São José do Rio Preto - São Paulo - Brasil
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