Capa
Cadastro
Textos
Áudios
Autores
Mural
Escrivaninha
Ajuda
Textos
Texto

NADA A DECLARAR

Hoje, ao acordar,
pregou-me um susto o espelho.
Uma mulher muito feia,
olhos inchados,
nariz vermelho,
do outro lado a me olhar...
Achei que ainda era cedo,
que ainda dormia, sonhava...
Que medo!
Ela ainda lá estava.
Olho de novo e nada.
Continuava a danada
do outro lado, atrevida,
com uma cara debochada
a me dizer:
És tu, mesma cara amiga!
Vês? Sou eu o resultado
das tuas noites mal-dormidas,
do teu amor mal-amado,
do teu tempo gasto a pensar
o que mais se pode fazer
para fazer-se amar...
Vês? Sou o que conseguiste
nas vezes em que fugiste
ao recanto particular,
o teu mundinho de sonhos.
Produziste um ser medonho,
e agora, eis aí,
o que és,
está aqui.
Nada tenho a declarar.
Nada tens a reclamar.
Débora Denadai
Enviado por Débora Denadai em 30/04/2005
Código do texto: T13876

Copyright © 2005. Todos os direitos reservados.
Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.
Enviar por e-mail
Denunciar

Comentários

Sobre a autora
Débora Denadai
Caracas - Distrito Federal - Venezuela, 54 anos
722 textos (154025 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 08/12/16 10:17)
Débora Denadai

Site do Escritor