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HOJE VISTO LUTO POR UM MUNDO TÃO DESIGUAL!...

DESABAFO

Porque hei de ser assim meu Deus?
Sempre me questionando!...
Questionando o mundo que me rodeia...
Nem quero seja em função de valores!...
E sim de atitudes!... De sentimentos...

Porque este bichinho a corroer minh’alma?
Tirando-me a paz!...
Trazendo a insônia!... Fazendo-me penar...
Solitária, triste, no mundo de ninguém...
Sentimentos que emanam em avalanche
Envolvendo meu ser num imenso vazio
Onde busco as respostas e não as tenho...
Porque Deus?

Haverá mal na minha maneira de ser?

Hoje vejo o mundo chorar!...
E também choro pelo Tsunami...
A perda de milhões de seres humanos
Na fúria da natureza, sem explicação!...
Deixastes Senhor que viesse em forma de maremoto
Consentindo ficasse um país na perda, no luto coletivo!...

O mundo mobiliza-se, em torno dessa catástrofe!...
Conseguindo de mãos dadas levar aos atingidos
A ajuda necessária para amenizar o sofrimento
Sofrimento dos aflitos, acabrunhados pela dor...
Diante do inexplicável, me questiono e sofro!...

Vejo e leio tanto sofrer!...
Nos recantos mais longínquos há quem chore e seja solidário
Banhou-se o mundo num mar de dor e lágrimas
Questiono!... Questiono!... Questiono...
Minh’alma amargurada se recusa a aceitar essa realidade!...
Milhões de mortos meu Deus!... Bem o sei...
Diga-me então Pai:
- Quantos outros milhões nesse mesmo espaço de tempo
Morreram e estão a morrer, pela fome!... Através da violência!...
No descaso e abandono da saúde pública...

Quantos, após longa tortura, assassinados legalmente partiram?
Não são mortes atrozes também? Onde está a diferença?...
Uma foi pela natureza, a outra pela mão do próprio homem...
Devemos então calar?... Não há esperança de uma união coletiva?...
Se houve o poder de mobilizar o mundo diante de uma catástrofe
Onde a natureza foi o executor eficaz e certeiro!...
Porque não fazemos o mesmo contra homens que massacram...
Que determinam a pobreza, o abandono, a opressão de povos!?...
O sofrimento diário e histórico da humanidade...

- E falo aqui, do nosso lado, da nossa própria comunidade...
Estendendo-se ao mundo não por um País apenas...

Se é possível essa união coletiva diante de fatos como o do Tsunami
Porque não há a mesma união diante da dor nesta aldeia global?
Onde uma minoria está cada vez mais rica
E o povo mais pobre, a sofrer e morrer de dor e fome...
Na falta de assistência, erros médicos, uma educação falida...
A humanidade está doente, depressiva lutando por um pouco de esperança!...

Ah meu Deus!... De joelhos diante de ti necessito de respostas!...
Se estiver errada, peço perdão...
Não consigo entender essa questão, dois pesos duas medidas!...
Atitudes diferentes diante da dor
Que no meu entender dor é dor, sentida da mesma forma...
Diante da morte, que não será dessemelhante para ninguém!...
A não ser por que meio se irá partir...

O que vejo: A morte onde a mídia faz estardalhaço renderá milhões!...
Não passa de propaganda as vistas dos interessados...
A outra forma onde morrem os mesmos milhões, a cada dia...
É abafada, não interessa divulgar, nem a opinião e união pública...
Enfraqueceria mandatos, governos ambiciosos...
Haveria o perigo de uma revolta coletiva!...
E muitas cabeças iriam rolar...

Senhor diga-me o que somos?...
Fantoches?...

Amigo estendo minha mão, o coração aberto e sofredor!...
Porque haverei de ver tanta desigualdade?
A cegueira que não deixa ver!?... Ou vejo demais?...
Peço-te entenda este desabafo dolorido, por todos e não por alguns...
Os poderosos a nos manipular, mesmo diante de um atroz sofrimento!...
Queria poder tudo aceitar calada, sem nada questionar...
Mas não há como!... Perdoe não consigo...
Cubro-me de luto por um mundo tão desigual!...

Neste exato minuto, quantas crianças violentadas e mortas?
Mulheres agredidas, mortas por seus próprios companheiros,
Pais de família na volta do trabalho, assassinados!...
Filhos e chacinas, um mar de sangue corre nas esquinas!...
Irmão que mata irmão, pais que matam filhos...
Filhos que assassinam pais!...

Milhões de mortes!... Como exemplo, uma capital do mundo...
Sem levarmos em consideração o especificar!...
Apenas uma capital em particular...
Como calar diante dessa realidade?...
Ou esta realidade é apenas minha!?...
Minha alma veste luto pelos que morreram...
Pelos que estão a morrer neste segundo!...
E por tantos outros que ainda morrerão
Em função de um mundo de interesses...

Somos um mundo em decadência ou pobres seres humanos
Vitimas de nossos próprios erros!?
Vitimas de uma cegueira de quem não quer ver...
Ou egoístas, diante do interesse pessoal que acometeu a humanidade?
Fácil é deixar uma lágrima rolar solidária diante da TV...
Enviar 1 kg de alimento nas campanhas humanitárias!...
Acreditar que esse horror jamais chegará ao nosso lar...

E as futuras gerações?
O que encontrarão?
Vamos dar as mãos, abrir os corações e pensar!...

Este ano de 2005 venha com mais humanidade!...
Que se realizem nossas esperanças de um mundo melhor...

Santo André – SP – BR
01.01.2005
22:28 hs

http://www.saladepoetas.eti.br/carmen/luto/luto.htm

Carmen Ortiz Cristal
Enviado por Carmen Ortiz Cristal em 30/04/2005
Reeditado em 08/04/2013
Código do texto: T13880
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Carmen Ortiz Cristal
Botucatu - São Paulo - Brasil, 56 anos
454 textos (65579 leituras)
7 e-livros (5343 leituras)
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Carmen Ortiz Cristal