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OS PÉS

Ponhamos em nichos dourados,
Como estátua de cintilante metal,
Nossos pés, duramente torturados,
Por instrumento de efeito letal,

O sapato que julgamos diadema
Para ornar esse par de abnegados,
Que depois de força suprema
Para suster corpos desengonçados,

Presos em finas ou grossas meias
Lembrando, às vezes, coador de café,
Ouvem palavras que tecem teias
De intriga, nomeando-os pai do chulé.

Grandes ou pequenos eles têm encantos,
Pois, na história, são símbolo fálico,
Reverenciados em festins e cantos
Com verso livre ou sáfico.

Louvemos, pois, com bela sonata,
Sem hipocrisia e sem preconceitos
Esta criação seja ela pé ou pata,
Sustentáculo dos pilares perfeitos,

As pernas que a natureza declara
Que foram feitas para correr, andar,
Tenham pele escura ou pele clara
Necessitam das bases pra não rastejar.

15/08/04.
Maria Hilda de Jesus Alão
Enviado por Maria Hilda de Jesus Alão em 30/04/2005
Código do texto: T13911

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Sobre a autora
Maria Hilda de Jesus Alão
Santos - São Paulo - Brasil
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