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Calvário

CALVÁRIO

No cálice que se diz santo.
Busco a embriaguez permanente.
No sacro soar enferrujado dos sinos,
eu rio e choro, numa dança demente.
No resto do pão mal dividido
Farto-me como se fosse banquete.
Nas penitências que não absolvem
e não nos redimem as falhas
eu adormeço, e a cruz que carrego
não pesa mais que palha.
Pelas mãos erradas que constroem o sacrário
Pelas contas, tontas, de tantos dedos
a girar o rosário.
Pela porção "anjo" e "demônio"
que nos é hereditário.
Pelas vozes que orientam e confundem
e não hesitam em crucificar-nos a todo instante
Confesso-me culpado, por ainda ser
tão parecido como antes.
E não preciso de julgamento, sigo só, voluntário.
Pois meu corpo tem as trilhas, os trilhos
chegarei ao meu calvário.


Tonho França.
Tonho França
Enviado por Tonho França em 17/04/2006
Código do texto: T140281
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Sobre o autor
Tonho França
Guaratinguetá - São Paulo - Brasil, 51 anos
82 textos (5759 leituras)
4 e-livros (356 leituras)
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Tonho França