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Afagos dos Tempos

tempo lascivo
que me
bruta
no vago,
e tonteia
passado e
presente.

sem crivo
de santos.

faz a mistura
que eu faço
os ponteiros.

já não alcanço
sua formosura,
já não abraço
sua cintura.

tudo de bravo
diverge e compõe
o nosso tempo
de lascos.

um dia,
de arder,
quando não
for mais sol,
entro
na rústila noite,
e abraço os
musgos das
sombras de
outeiros.

por onde passou
e deixou marcas,
de resto,
o que ficou!

se valho,
não sei.

desejo e
falo
deste longo
amor,
como se amacia
o damasco
nos lábios
adocicados,
dos ventres
de enlace.

saia comprida
dos
avantes!

vestal
de azul-moreno,
seu vestido,
bem rente ao mundo.

e nele
choro
emperdenido,
fazendo coro
dos nossos
jamais.
José Kappel
Enviado por José Kappel em 18/04/2006
Código do texto: T140910
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Sobre o autor
José Kappel
Nova Friburgo - Rio de Janeiro - Brasil
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José Kappel