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Querida Noite

Demoras de vir, querida noite...
Que a tua escuridão,
De mim não se aproxime!
Não tragas para mim
O teu silêncio escandaloso,
Tuas estrelas mortas,
Teu luar pálido,
Teus bichos irônicos,
Teu sereno venenoso,
Tuas lembranças involuntárias...

Tardas em vir, querida noite...
Fecharei minha janela
Agora mesmo!
Não perturbes o meu sonho d’ouro,
Meus brinquedos diurnos,
Meus desejos vespertinos,
Minhas odes ao ocaso,
Meus perfumes e delírios,
Devaneios e insônias...


Esquece-te de mim, querida noite...
Que o teu passo é denso
E treme o mundo,
Que o teu toque é fundo
E fura tudo,
Que os teus ais são doidos
E atraentes,
Que o teu grito é
Acre-doce e agudo...

Somes para sempre, querida noite...
Como se pudesses deixar de existir,
Como as minhas lágrimas (de emoção),
Quando te observo a sorrir,
Quando te venero com paixão,
Quando aceito ser o teu caixão,
Quando nada sou sem ti.

18 de abril de 2006
Teco Sodré
Enviado por Teco Sodré em 18/04/2006
Código do texto: T140971

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Sobre o autor
Teco Sodré
Salvador - Bahia - Brasil, 38 anos
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