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Barril de Beber


Agora virei barril,
Minha ordem interior se foi.
fizeram as malas de Maria
e mandaram ela
prá bem longe desta
angustiosa paredes de interior.
Maria se foi e levou também
arco e flecha
para um dia ,se puder,
caçar sozinha nas florestas
encantadas de luzes.
Magia é pouca.
Maria se foi,
e a mim deixou.
Lastimo! Porque sou fraco
e na minha ordem interior e ativa
só tem amor cativo!

*

Se nas folhagens que rebatem o
outono encontrar comigo, diga alôu.
Simples de falar, complexo de entender.
Se sou um em vários
Sou todos num só.
difícil de explicar o que não existe.
E se existiu já se foi.
Nada mais puro que água de beber.
Mas o barril chaveado de madeira
reluzente e arcos iluminados
foi feito para guardar a dor e o vinho.
E nele mergulho a solidão de
quatro dias,quatro noites
e anos e anos de escolha
entre a paz e a seriedade.
Entre ir ou não.
Fincar juncos ou paecer.
Se vou vou à pé,
como numa procissão arredia.
Vou mais nem rezo.
Vou atrás da saia dela
de meio metro de cetim.
E se um dia eu me encontrar
prometo diante deste barril
de puro vinho e discórdia:
bebo ele, e tomo você
dos braços de Zeus e levo
pra casa prá fazer milagres
de gente grande.
Porque de onde eu vim,
ninguém vai.
E a coisa se alastra
Todos vestem brim
e eu um pobre carmim!
José Kappel
Enviado por José Kappel em 22/04/2006
Código do texto: T143142
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Sobre o autor
José Kappel
Nova Friburgo - Rio de Janeiro - Brasil
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José Kappel