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Serena Bastiã

Serena Bastiã,
sempre enclausurada
nos pórticos
dos devedores.

Calada e bucólica
enfrentou
o sol e a morna chuva
a procura da
chave mágica da vida.

Não achou, porque não
nunca esteve lá lá. Voou.
Pro céu, bem longe,
rompante, balançando pontes !

Dizer, agora, não é possível.
Ela já se foi nas alguras
do tempo,
e se misturou na multidão
que tem nome solidão e formou-se
um elo de perdão entre seu
vazio
e o vazio das vidas que não se vêem.


Bastiã morreu de solidão,
viva ficou um tempão
encondida no arauto da vida.
Seu nome padeceu
somente por algumas
horas no estertor da vida.

Depois desapareceu
como as aves
que serenam a noite.

Bastiã, de rosto cheio,
poderosa e crédula,
morreu assim,
sem vez nas dobras do espaço.

Bastiã de corpo rígido
foi desamada a vida toda
-pajém de reis -
E jamais encontrou sua vida.

Em lugar nenhum se encontrou.
Morreu pobre e esquecida,
como uma folha de vento
que a gente pisa,
e esquece.

Deixa o vento levar
que lá ela fenece
e nos perdoa,
por não entender
as gentes da gente.
as pobres gentes
da vida.
José Kappel
Enviado por José Kappel em 22/04/2006
Código do texto: T143145
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Sobre o autor
José Kappel
Nova Friburgo - Rio de Janeiro - Brasil
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