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Embargo do Tempo

Fui no embargo do tempo,debruçado sobre minhas coisas devintém. Fui abraçado com o tempo, enlaçado de nódoas eferidas, tão incompreensíveis como abater um pássaro.

Pássaros berdes,voam a redor da pequena praça. Me sentoacomodado em tocos arredondados e bem envernizados.

Disfarço a raça, sou belvedere azulada,mas bem mesurpreendo ao vinicius e marias,debruçadas e voláteis, numportal de magnitude, de dúvida nenhuma, donos de todos osmundos acalados.

Sou horas e passo nelas, enquanto revejo retratosamarelados e figuras que, de pronto,chamadas foram para ooutro lado da vida.

Me conformo. Sou quadro de visita e,todos me olham como umacidente. Os oslhos escorrem, mas não fixam.

Um dia não fui assim.
Um dia jamais pensei em ficar tal e assim.

E roda o tempo engasgado de horas. Roda a vida,adornada demil paixões que já não são minhas.
E não encontro pouso.

Saio de masinho - igual ave sem ninho.
Agarro a trouxa e a cigarrilha.
Me levanto potentado de dores.
Vou embora, disfarço e não pestanejo.

Daqui, perdi tudo.
Só me deixaram nos aliás dos sozinhos.
Por bem tenha feito!
Agora sou mendigo de raça.
Largado às portas da vida como
catador de papéis da velha praça !
José Kappel
Enviado por José Kappel em 22/04/2006
Código do texto: T143151
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Sobre o autor
José Kappel
Nova Friburgo - Rio de Janeiro - Brasil
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José Kappel