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Bonde de Três

Tenho três flores lá em casa,
todas são margaridas
- nenhuma rosa -,
estão dispostas ao meu olhar
e ao meu toque de manso e
de leve pranto.

Elas - já sem pêndulos - viveram
em paz meio caótica com meu gesto:
afinal pra que três,
se uma não basta?

E disso sempre feneceram.

Um dia elas acordaram, de manso,
e se viram no meu espelho
envergonhadas:
-pra que três - uma não basta?

E assim fiquei sozinho,
ou metade em dor,metade
de arrependimento.

E jurei pra mim: prá que três?
E digo eu, sem impedimento:
uma completa a outra, a primeira
refaz a segunda, esta suplanta
a terceira. Cada uma é,
cada uma não é.

Hoje sozinho, jurei aos deuses
mais próximos:
da próxima fez, reeducado,
não ponho um espelho sequer
na casa.

Os espelhos são verdadeiros:
mas não mostram surpresas
e sim realidades.

Nessa entrei, bem herdeiro,
igual a um rato na ratoeira.

Parece simples, mas
não é: vá dirigir um
bonde chamado de três
madonas
e você vai ver o tamanho
do abismo que te jogam:
cada pedaço de você por vez!
José Kappel
Enviado por José Kappel em 23/04/2006
Código do texto: T143726
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Sobre o autor
José Kappel
Nova Friburgo - Rio de Janeiro - Brasil
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